sexta-feira, junho 30, 2006

Estranha forma de apostar na Educação!

Secretário de Estado "mima" professores em apresentação do Inglês para os 1º e 2º anos!

As escolas do 1º ciclo vão disponibilizar a partir do próximo ano lectivo o ensino do Inglês a crianças dos 1º e 2º anos, anunciou hoje o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos.
Os agrupamentos de escolas terão autonomia para definir outras actividades extracurriculares para ocupar o tempo que sobra do prolongamento de horário, que deverão incluir o desporto escolar e o ensino musical ou outras expressões artísticas.
Valter Lemos lembrou que actualmente mais de 90 por cento dos alunos dos 3º e 4º anos já estão abrangidos pelo ensino do Inglês e salientou ainda que "os maiores problemas do plano tecnológico não são com a aprendizagem pelas crianças, mas, muitas vezes, com a alfabetização tecnológica dos professores".
"As escolas do país estão já reunidas em banda larga, os equipamentos têm estado a ser implementados, mas não é só isso, é preciso saber usar esse material", disse hoje o responsável, durante a apresentação do Programa de Verão 2006.
in PÚBLICO

quinta-feira, junho 29, 2006

Dados do IEPF sobre a inscrição de professores nos centros de emprego!


No passado mês de Maio encontravam-se inscritos mais de 6600 docentes nos centros de emprego que se declaravam desempregados, de acordo com os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Entre os meses de Janeiro e Maio, a média de docentes inscritos nas condições indicadas superava os 7300, mais 16% que em igual período do ano passado. Neste período verifica-se uma tendência de crescimento em comparação a 2005, com taxas de crescimento em todos os meses de dois dígitos.
No mês de Maio o crescimento foi mais acentuado, superando os 19%. Segundo os dados do IEFP, essa foi a quarta taxa de crescimento mais elevada no número de desempregados inscritos que se registou no centros de emprego, numa análise dos dados por grupos de profissões. Saliente-se ainda que os profissionais de nível intermédio do ensino constituem o grupo com o maior crescimento no número de inscritos nos centros no mês de Maio.
in DN
Todos os anos, por questões vergonhosamente corporativas, ensino superior público e privado lançam no desemprego centenas de novos professores que na realidade dificilmente algum dia o serão!
O Estado continua a financiar cursos via ensino há muito saturados desperdiçando recursos públicos e alimentando expectativas utópicas! Em nome da manutenção do status de muitos políticos/professores universitários oferece-se um início de vida decepcionado a toda uma geração!

quarta-feira, junho 28, 2006

A indisciplina escolar!

Sobre a questão da indisciplina nas escolas publicou Fátima Bonifácio um veemente e indignado artigo no Público de sexta-feira passada. Escolas transformadas naquilo a que ela chama "depósitos de delinquentes", professores (e sobretudo professoras) insultados e agredidos, alunos normais aterrorizados, tudo isto, mais a ausência de elementares medidas de vigilância, polícia e sanção, está a criar uma situação explosiva no ensino.
É claro que essa saída existiria sem dificuldades no domínio do politicamente incorrecto. Se o professor, ou alguém por ele na escola, pudesse dar duas boas chapadas ao jovem agressor, insurrecto e malcriado, o problema resolvia-se em quinze dias. E, se as coisas continuarem assim, virá o tempo em que não haverá outra solução que não seja a restauração das palmatoadas e dos castigos corporais, quer se goste quer não se goste. Nunca fizeram mal a ninguém e, se sempre foram uma estupidez no que respeita ao mau aproveitamento, também sempre mostraram bastante eficácia no que toca às agressividades.
Num livro que já não é recente, A Pedagogia da Avestruz /Testemunho de Um Professor (2.ª ed., Gradiva, 2004), Gabriel Mithá Ribeiro analisa com argúcia, entre outras matérias de relevância para a vida escolar, o problema da indisciplina e reconhece que esteve à beira dessa atitude: "Cheguei a ter de jogar alunos e respectivo material pela porta fora, porque se recusavam a obedecer à ordem de expulsão da aula; cheguei a agarrar pelos colarinhos alunos que me invadiam a sala; cheguei a pôr o dedo em riste em algumas situações. Arrisquei a minha pele? Sim, mas ganhei o respeito dos outros e assim pude trabalhar."
É muito pertinente a maneira como aborda a concepção da escola e rejeita a "incompreensível confusão entre os espaços simbólicos da família e da escola", afirmando a necessidade de um poder coercivo legítimo, com a possibilidade de sanções, "sempre legítimas e indispensáveis, no limite, da exclusão de quem não se compatibiliza com as normas".
É radical a sua crítica do pensamento e da prática dominantes na busca dos consensos que pretendem tornar os alunos "parceiros a tempo inteiro das decisões, no âmbito da vida escolar", o que é "uma falácia justificadora da fraqueza dos adultos". Por outro lado, as vicissitudes de natureza burocrática tendentes a efectivar a responsabilidade dos alunos são, como ele lhes chama, "meandros kafkianos".
É extraordinária a descrição que faz das hesitações dos professores e das delongas de preparação, instrução e apreciação dos processos: "Participei no mês de Junho em discussões sobre maus comportamentos que se arrastavam desde Outubro, para optarmos por penas simbólicas." E, enfim, a cereja no cimo do bolo: "Na maior parte das reuniões desta natureza em que participei, emerge de seguida o lado humano, cujos produtos finais, em bom rigor, dever-se-iam chamar impunidade, permissividade e irresponsabilidade."
Para Mithá Ribeiro, como para qualquer pessoa sensata, a "pieguice pedagógica" não tem pés nem cabeça, o bom selvagem de Rousseau não existe e a "questão dos aberrantes e politicamente correctos castigos pedagógicos é toda ela pensada partindo de uma visão demasiado optimista da condição humana e da vida social, como toda a actual filosofia do ensino".
A cultura profissional dos docentes é também uma das principais causas da indisciplina: "Quando tudo se centra no aluno, aos professores resta o sentimento de culpa, de auto-flagelação por todos os males que afectam o ensino." E "os próprios professores, a começar pelos conselhos executivos, têm discursos e práticas contra toda e qualquer forma de exercício de autoridade".
No sentido de inverter o rumo que as coisas levam, Mithá Ribeiro propõe a criação de comissões disciplinares nas escolas. A elas caberia a definição da estratégia disciplinar do estabelecimento, o recebimento das participações, a abertura e instrução dos processos, o poder de suspensão imediata dos alunos nos casos mais graves, o contacto com os pais, a presidência dos conselhos de turma de natureza disciplinar, a resolução de diferendos entre docentes e encarregados de educação, o calendário e a fiscalização do cumprimento das penas e uma vigilância constante ao longo do ano em matéria disciplinar.
Não sei se a ideia resulta. É possível. Mas, entretanto, talvez fosse preferível ir mandando regularmente a polícia para as escolas mais problemáticas.
Vasco Graça Moura in DN

A indisciplina escolar!

Sobre a questão da indisciplina nas escolas publicou Fátima Bonifácio um veemente e indignado artigo no Público de sexta-feira passada. Escolas transformadas naquilo a que ela chama "depósitos de delinquentes", professores (e sobretudo professoras) insultados e agredidos, alunos normais aterrorizados, tudo isto, mais a ausência de elementares medidas de vigilância, polícia e sanção, está a criar uma situação explosiva no ensino.
É claro que essa saída existiria sem dificuldades no domínio do politicamente incorrecto. Se o professor, ou alguém por ele na escola, pudesse dar duas boas chapadas ao jovem agressor, insurrecto e malcriado, o problema resolvia-se em quinze dias. E, se as coisas continuarem assim, virá o tempo em que não haverá outra solução que não seja a restauração das palmatoadas e dos castigos corporais, quer se goste quer não se goste. Nunca fizeram mal a ninguém e, se sempre foram uma estupidez no que respeita ao mau aproveitamento, também sempre mostraram bastante eficácia no que toca às agressividades.
Num livro que já não é recente, A Pedagogia da Avestruz /Testemunho de Um Professor (2.ª ed., Gradiva, 2004), Gabriel Mithá Ribeiro analisa com argúcia, entre outras matérias de relevância para a vida escolar, o problema da indisciplina e reconhece que esteve à beira dessa atitude: "Cheguei a ter de jogar alunos e respectivo material pela porta fora, porque se recusavam a obedecer à ordem de expulsão da aula; cheguei a agarrar pelos colarinhos alunos que me invadiam a sala; cheguei a pôr o dedo em riste em algumas situações. Arrisquei a minha pele? Sim, mas ganhei o respeito dos outros e assim pude trabalhar."
É muito pertinente a maneira como aborda a concepção da escola e rejeita a "incompreensível confusão entre os espaços simbólicos da família e da escola", afirmando a necessidade de um poder coercivo legítimo, com a possibilidade de sanções, "sempre legítimas e indispensáveis, no limite, da exclusão de quem não se compatibiliza com as normas".
É radical a sua crítica do pensamento e da prática dominantes na busca dos consensos que pretendem tornar os alunos "parceiros a tempo inteiro das decisões, no âmbito da vida escolar", o que é "uma falácia justificadora da fraqueza dos adultos". Por outro lado, as vicissitudes de natureza burocrática tendentes a efectivar a responsabilidade dos alunos são, como ele lhes chama, "meandros kafkianos".
É extraordinária a descrição que faz das hesitações dos professores e das delongas de preparação, instrução e apreciação dos processos: "Participei no mês de Junho em discussões sobre maus comportamentos que se arrastavam desde Outubro, para optarmos por penas simbólicas." E, enfim, a cereja no cimo do bolo: "Na maior parte das reuniões desta natureza em que participei, emerge de seguida o lado humano, cujos produtos finais, em bom rigor, dever-se-iam chamar impunidade, permissividade e irresponsabilidade."
Para Mithá Ribeiro, como para qualquer pessoa sensata, a "pieguice pedagógica" não tem pés nem cabeça, o bom selvagem de Rousseau não existe e a "questão dos aberrantes e politicamente correctos castigos pedagógicos é toda ela pensada partindo de uma visão demasiado optimista da condição humana e da vida social, como toda a actual filosofia do ensino".
A cultura profissional dos docentes é também uma das principais causas da indisciplina: "Quando tudo se centra no aluno, aos professores resta o sentimento de culpa, de auto-flagelação por todos os males que afectam o ensino." E "os próprios professores, a começar pelos conselhos executivos, têm discursos e práticas contra toda e qualquer forma de exercício de autoridade".
No sentido de inverter o rumo que as coisas levam, Mithá Ribeiro propõe a criação de comissões disciplinares nas escolas. A elas caberia a definição da estratégia disciplinar do estabelecimento, o recebimento das participações, a abertura e instrução dos processos, o poder de suspensão imediata dos alunos nos casos mais graves, o contacto com os pais, a presidência dos conselhos de turma de natureza disciplinar, a resolução de diferendos entre docentes e encarregados de educação, o calendário e a fiscalização do cumprimento das penas e uma vigilância constante ao longo do ano em matéria disciplinar.
Não sei se a ideia resulta. É possível. Mas, entretanto, talvez fosse preferível ir mandando regularmente a polícia para as escolas mais problemáticas.
Vasco Graça Moura in DN

terça-feira, junho 27, 2006

Ano escolar 2006/2007: início entre 11 e 15 de Setembro!


De acordo com as indicações do Ministério da Educação para o ano lectivo de 2006/2007 as aulas deverão ter início entre 11 e 15 de Setembro. As reuniões de final de período realizam-se, obrigatoriamente, durante os períodos de interrupção das actividades lectivas, devendo as avaliações intercalares ocorrer num período que não interfira com o normal funcionamento das actividades lectivas e com a permanência dos alunos na escola.
No período em que decorre a realização dos Exames Nacionais, as escolas devem adoptar medidas organizativas ajustadas para os anos de escolaridade não sujeitos a exame, de modo a garantir o máximo de dias efectivos de actividades escolares e o cumprimento integral dos programas nas diferentes disciplinas e áreas curriculares.
As datas de actividade lectiva e de interrupção para os Ensinos Básico e Secundário são as seguintes:
1.º período - início entre 11 e 15 de Setembro de 2006 (as aulas depois de iniciadas não podem ser interrompidas);- termo em 15 de Dezembro de 2006
2.º período - início em 3 de Janeiro de 2007;- termo em 23 de Março de 2007
3.º período - início em 10 de Abril de 2007;- termo a partir a de 8 de Junho, para os 9.º, 11º e 12.º anos, e de 22 de Junho, para os restantes anos de escolaridade.

Interrupções das actividades lectivas
1.ª interrupção - de 18 de Dezembro de 2006 a 2 de Janeiro de 2007
2.ª interrupção - de 19 a 21 de Fevereiro de 2007
3.ª interrupção - de 26 de Março a 9 de Abril de 2007.
No que respeita à Educação Pré-Escolar as actividades educativas com crianças nestes estabelecimentos deverão ter início entre os dias 11 e 15 de Setembro de 2006, e terminar, respectivamente, entre os dias 9 e 13 de Julho de 2007.
As interrupções nos períodos do Natal e da Páscoa devem corresponder a um período de cinco dias úteis, seguidos ou interpolados, a ocorrer respectivamente, entre os dias 18 de Dezembro de 2006 e 2 de Janeiro de 2007, inclusive, e entre os dias 26 de Março e 9 de Abril de 2007, inclusive. Haverá igualmente um período de interrupção das actividades educativas com crianças entre os dias 19 e 21 de Fevereiro de 2007, inclusive.

sábado, junho 24, 2006

Cerca de 1400 escolas já fecharam!

O Ministério da Educação estimava, ontem (último dia de aulas), que estariam a encerrar portas cerca de 1400 escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, a maior parte das quais com menos de 10 alunos. Algumas das escolas primárias em causa não chegavam a ter meia dúzia de discentes, situação que, em muitos casos, não impedia graus de insucesso muito elevados, de acordo com fonte oficial do Ministério.
Como é do conhecimento público, Maria de Lurdes Rodrigues pretende encerrar todas as escolas do primeiro ciclo e jardins-de-infância com menos de 20 alunos, ou sem condições mínimas de funcionamento, até 2010. De acordo com fonte oficial do Ministério, estarão em causa cerca de 4200 unidades, incluindo jardins-de-infância. A estratégia explica-se pela necessidade de reordenação da rede escolar, por forma a concorrer aos fundos comunitários no âmbito do futuro Quadro de Referência Estratégica Nacional 2007-2013. "Algumas escolas serão substituídas por outras e muitas sofrerão obras de remodelação. Tínhamos de incluir os jardins-de-infância na candidatura aos fundos comunitários", explicou a mesma fonte oficial.
Aliás, o Ministério tenta novamente explicar o anúncio feito pela ministra da Educação, no início do ano, relativo ao fecho, até 2010 ,de 4500 escolas do 1.º Ciclo com menos de 20 alunos. Não há 4500 escolas do 1º Ciclo albergando menos de 20 alunos, mas sim 2880. Há que acrescentar 1289 jardins-de-infância, o que dá um total de 4169. Factos irrefutáveis apresentados há uma semana pelo JN. No entanto, os 4169 já se aproximam das 4200 unidades agora estimadas como sendo susceptíveis de encerramento. O Ministério lembra ainda que o critério do número de alunos não é único. Falta de condições e insucesso escolar poderão justificar o fecho de escolas. Tanto assim é que estes dois últimos critérios poderão mesmo sobrepor-se, em simultâneo ou não, ao número de alunos. Ou seja, poderá dar-se o caso de algumas escolas com mais de 20 alunos encerrarem por critérios qualitativos e não quantitativos.
in JN

quinta-feira, junho 22, 2006

Ministra autoriza escolas a contratar "amigos"!

As escolas localizadas em meios sociais problemáticos e com problemas de indisciplina deverão passar a ter a possibilidade de recrutarem directamente professores, escolhendo-os em função do seu perfil profissional. O anúncio é feito pela a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, numa entrevista que é publicada hoje na revista Visão.
A possibilidade de recrutamento directo de docentes tinha já sido avançada pela tutela, no âmbito de um programa destinado a melhorar os resultados dos alunos a Matemática, apresentado no início deste mês pelo Ministério da Educação. De acordo com esse programa, as escolas do segundo e terceiro ciclos podem vir a contratar directamente professores de Matemática ou recrutar peritos de instituições e universidades para ajudar a melhorar os resultados.
"Serão as escolas a arranjar os professores. As escolas precisam de autonomia para resolver as situações", adianta a ministra.
in JN

Ministra quer abrir as escolas a outros profissionais!

A ministra da Educação quer abrir os quadros das escolas a outros profissionais, para além de professores, psicólogos, administrativos e auxiliares de educação. Maria de Lurdes Rodrigues considerou ontem, em Viana do Castelo, que faltam nos estabelecimentos de ensino "muitos recursos técnicos", como informáticos ou engenheiros. E também que "os quadros de profissionais nas escolas são muito pobres".
A participar em mais um encontro do debate nacional, promovido pelo Conselho Nacional de Educação, Maria de Lurdes Rodrigues considerou que a constituição dos quadros de escola é "uma área de trabalho", que terá de ser encarada em breve. E como o tema do encontro era "A aprendizagem ao longo da vida e os desafios do emprego", a ministra defendeu que a abertura de vagas para outros profissionais será uma forma de permitir a progressão na carreira de pessoal não docente que aposte numa formação superior. A limitação dos actuais quadros, disse a governante, "cria barreiras à progressão porque não há mecanismos de passagem entre carreiras".
Assim, faltam carreiras técnicas superiores consolidadas que possam abrir vagas para pessoal de apoio à área de informática ou de manutenção de equipamentos, no caso de se tratarem de agrupamentos de escolas grandes. A ministra falou ainda em necessidades de apoio jurídico ou económico, para explicar o porquê de abrir as escolas a outros profissionais.
À margem do encontro, Maria de Lurdes Rodrigues esclareceu ainda que a redução do número de professores com dispensa de serviços para trabalho sindical, de 450 para 300, obedece ao critério de representatividade. "Nenhum outro sector de actividade dispõe de um crédito tão elevado de dispensas de serviço", afirmou, defendendo ainda ser necessário "dispor de um número razoável, que não fosse escandaloso". Mas o maior problema será agora, considera a ministra, entre os 25 sindicatos, que têm de fazer a distribuição dos créditos.
in DN

quarta-feira, junho 21, 2006

Pais e instituições de solidariedade preocupados com futuro dos ATL!


As associações de pais e as instituições de solidariedade social estão preocupadas com a iniciativa do Ministério de Educação de prolongar os horários nas antigas escolas primárias, o 1º ciclo do ensino básico. A tutela quer que os estabelecimentos de ensino estejam abertos até às 17h30, mas tal pode pôr em causa o trabalho feito pelos ateliers de tempos livres (ATL), que correm o risco de fechar, alertam.
No próximo ano lectivo, as escolas deverão oferecer mais dez horas semanais de actividades de enriquecimento curricular, como música, expressão dramática, educação física ou outras. Os alunos vão passar a estar no estabelecimento de ensino duas horas diárias para ter essas actividades e sem custos para os pais, já que a tutela financia até 250 euros anuais por estudante. As escolas são convidadas a estabelecer parcerias para oferecer estas actividades.
"A iniciativa do Governo pode pôr em causa toda uma experiência. Muita gente pode ficar desempregada e há equipamentos, que foram financiados pelo Estado, que podem ser encerrados", declara Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS). Também António Castela, presidente da Federação Regional de Lisboa de Associações de Pais (Ferlap), está preocupado com o possível desemprego dos que trabalham nos ATL das associações de pais.
Anteontem à noite, a Ferlap reuniu cerca de meia centena de AP da região de Lisboa, num encontro, onde as organizações se manifestaram preocupadas com a possibilidade de terem de fechar as portas dos ATL, informa António Castela. "Esta oferta qualificada está a ser posta em causa", sublinha o presidente da federação.
Tanto a CNIS como a Ferlap estão de acordo com a medida, mas querem que o Ministério da Educação (ME) clarifique melhor a sua aplicação. "A iniciativa do ministério é bondosa, mas da forma como foi anunciada parece não ter em conta o trabalho já desenvolvido", lamenta Lino Maia, que já se reuniu com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
"As associações de pais consideram a medida útil e que vem ao encontro da defesa da escola a tempo inteiro, mas é preciso haver informações claras do ministério de que as AP são parceiros prioritários", defende António Castela. Da reunião de segunda-feira saiu um documento que a Ferlap fará chegar à tutela e à Assembleia da República.
Não é obrigatório!
O programa de alargamento e generalização das actividades de enriquecimento curricular - apresentado no início do mês pelo primeiro-ministro e pela ministra da Educação - prevê que a oferta seja pensada em função do contexto local. É obrigatório as escolas apresentarem, no mínimo, 90 minutos semanais de Apoio ao Estudo e 135 minutos de ensino do Inglês para os alunos dos 3.º e 4.º anos. Contudo, as famílias não são obrigadas a inscrever os estudantes nestas actividades.
Os agrupamentos de escolas, aponta o despacho, devem planificar as actividades de enriquecimento curricular em parceria com as autarquias ou com as AP ou instituições de solidariedade. No entanto, o ME entende que o parceiro preferencial das escolas deve ser o município. Os estabelecimentos de ensino também podem concorrer sozinhos, caso não consigam uma parceria. As propostas devem ser apresentadas até 15 de Agosto.
A tutela vai comparticipar financeiramente os projectos - só a actividade de apoio ao estudo não está incluída - e tem entre 80 e 100 milhões de euros para o fazer.
A ministra Maria de Lurdes Rodrigues já garantiu que os ATL existentes não correm o risco de fechar porque podem colaborar com as escolas. Além disso, podem alargar a sua actividade às crianças da creche, jardim de infância e ao 2.º ciclo, sugeriu.
Lino Maia propõe que o ME "se preocupe com as crianças que não têm qualquer apoio". O presidente do CNIS informa que muitos ATL estão já a receber inscrições de alunos dos 2.º e 3.º ciclos, mas que essa reconversão exige investimento em formação e nos equipamentos existentes.
Quanto ao público mais novo, António Castela lamenta que não haja qualquer informação da tutela sobre como será o financiamento para o pré-escolar.
in PÚBLICO

terça-feira, junho 20, 2006

Ministério da Educação quer reduzir número de professores com funções sindicais!

O Ministério da Educação quer reduzir de 450 para 300 o número de professores com funções sindicais a tempo inteiro, devendo aprovar até ao início do próximo mês legislação nesse sentido, anunciou hoje a tutela.
O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, indicou que as negociações com os sindicatos sobre os termos em que essa redução será feita decorrem há duas semanas.
Jorge Pedreira adiantou que os 300 lugares serão distribuídos por todos os sindicatos, segundo um critério de representatividade relacionado com o número de associados.
"A lei prevê que um dirigente sindical tenha direito a quatro dias por mês de dispensa de aulas para exercer funções sindicais. A lei não prevê dirigentes sindicais a tempo inteiro, mas permite que os créditos (de horas) possam ser concentrados", explicou.
Desta forma, um dirigente sindical pode abdicar dos seus créditos a favor de outro. Para um dirigente sindical estar a tempo inteiro é necessário que cinco abdiquem dos seus créditos. Assim, para haver 300 a tempo inteiro, 1500 têm de abdicar dos seus créditos individuais.
"Mil e quinhentos parece-me um número perfeitamente suficiente. Tem de haver razoabilidade e um esforço para compatibilizar os direitos sindicais com a gestão dos dinheiros públicos e com os interesses das escolas".
Além dos 300 professores com funções sindicais a tempo inteiro, a tutela está ainda a negociar a afectação de mais 20 docentes a cada uma das confederações sindicais.
Em Junho de 2005, o primeiro-ministro anunciou durante um debate mensal na Assembleia da República a intenção de reduzir de 1327 para 450 o número de professores que estavam fora das escolas a exercer funções sindicais.
Segundo José Sócrates, o Estado gasta anualmente com aquele número de docentes cerca de 20 milhões de euros em salários, e agora, com uma diminuição para 300 a tutela estima reduzir esse valor para oito milhões.
in PÚBLICO

Portugal é um dos países com mais analfabetismo informático!


Mais de metade dos portugueses não tem quaisquer conhecimentos básicos de informática, tornando Portugal um dos países da União Europeia (UE) com uma taxa mais elevada de «analfabetismo informático», indica um estudo hoje divulgado em Bruxelas.
O estudo levado a cabo pelo Eurostat, o gabinete oficial de estatísticas da UE, e referente a 2005, revela que 54% dos portugueses não têm os chamados conhecimentos básicos de informática e 09 por cento têm um nível de conhecimento considerado «baixo», enquanto 22% têm conhecimentos de informática «médios» e apenas 13% «elevados».
O inquérito sobre a «sociedade da informação» demonstra ainda que 53% dos portugueses nunca usaram um computador na vida e que uma grande maioria - 72% - não acede regularmente à Internet.
Entre os 17 Estados-membros sobre os quais há dados disponíveis, Portugal é um dos seis países em que o «analfabetismo informático» afecta mais de metade da população, sendo o quarto com um valor mais elevado, em conjunto com o Chipre, e apenas superado por Grécia (65%), Itália (59) e Hungria (57).
No extremo oposto da lista encontram-se a Dinamarca e a Suécia, onde apenas 10 e 11% da população, respectivamente, não têm conhecimentos informáticos básicos, sendo a média comunitária de «analfabetismo informático» de 37%.
O estudo sublinha que se registam grandes diferenças a nível de conhecimentos informáticos em função da idade e do nível de instrução.
Em Portugal, o «fosso» é particularmente visível em função do grau de instrução da população: o «analfabetismo» atinge 69% da população com um nível de instrução baixo e apenas 5% da população com habilitações superiores, sendo que apenas um por cento dos estudantes não têm quaisquer conhecimentos básicos de como utilizar um computador.
in Diário Digital / Lusa

Mais de 10 mil faltaram ao exame de Português!

Para a prova de Português A estavam inscritos 10.726 alunos, mas compareceram 9.137, enquanto as provas de Português B foram realizadas por um total de 43.864 estudantes, quando estavam inscritos 52.875.
Assim, no primeiro dia da primeira fase dos Exames Nacionais, 16,6% (10.600) dos alunos inscritos não compareceram à chamada, podendo realizar a prova na segunda fase, a 19 de Julho. Relativamente aos exames de Português B, à prova do novo programa, leccionado em todos os agrupamentos menos no de Humanidades, faltaram 3.344 alunos, dos 39.446 inscritos.
Para o ponto relativo ao antigo programa compareceram 7.732 alunos, ou seja, 57,7% dos 13.397 estudantes matriculados.
A primeira fase dos exames nacionais prolonga-se até 3 de Julho, com um total de 176.794 alunos inscritos. Destes, 64% realizam provas para se poderem candidatar ao ensino superior, enquanto os restantes 36% testam conhecimentos apenas com o intuito de concluir o secundário.
O número de estudantes a realizar provas subiu 46,2% relativamente a 2005, com mais 55 mil alunos inscritos este ano. As raparigas continuam em clara maioria entre os inscritos, representando 57% do total, uma tendência que se verifica há vários anos.
Durante a primeira fase realizam-se exames a 36 disciplinas, num total de 514.540 provas, sendo divulgados os resultados a 13 de Julho.
A classificação no exame nacional vale 30% da nota final da disciplina e entre 35 a 50% para a nota de candidatura ao ensino superior.
in VISÃO

segunda-feira, junho 19, 2006

Debate nacional sobre educação!

Vamos a exame!


Às 9.00, o toque de entrada será uníssono em todo o País. É o arranque da primeira fase dos exames nacionais do secundário, em que participam quase 177 mil estudantes. Uma megaoperação que, a contar também com as provas de cem mil alunos do 9.º, custa ao Estado 6,5 milhões de euros e mobiliza 14 500 agentes policiais.
Para mais de 73 mil estudantes, o futuro começa a decidir-se já esta manhã, com as provas de Português A e B do 12.º ano. A maioria do total de inscritos nesta primeira fase continua a ter por objectivo a entrada na faculdade: é o caso de 113 175 estudantes que fazem o exame para aceder ao superior. Na quarta e na sexta é a vez de 104 mil alunos do 9.º ano mostrarem o que valem a Português e Matemática.
Segundo o Júri Nacional de Exames, há mais 56 mil estudantes inscritos na primeira fase do secundário do que em 2005. Na origem deste aumento - que eleva para mais de meio milhão o número de provas a realizar a partir de hoje - estão os exames das disciplinas bienais do 11.º ano, que ocorrem pela primeira vez.
Mas esta não é a única novidade este ano. Os alunos dos cursos tecnológicos passam a estar dispensados das provas, a menos que queiram ingressar no ensino superior. O exame de Filosofia deixa de ser obrigatório para quem só quiser concluir o 12.º E esta é a primeira prova de fogo aos novos programas, introduzidos nas turmas que entraram para o 10.º em 2003/2004.
in DN

sexta-feira, junho 16, 2006

Opinião d'A BOLA!

"...os professores de Portugal, os homens e as mulheres que preparam os nossos filhos para saberem aprender toda a vida, estão no limite das suas forças, das suas resistências, sentem-se profundamente desconsiderados e estão indignados com a afronta que lhes faz quase diariamente um ministério vesgo e surdo, que ainda os responsabiliza por serem, eles próprios, violentados, sabendo, melhor do que ninguém, que foi o próprio estado que passou anos e anos a desacreditar, a fragilizar e desautorizar os professores perante os alunos, tornando-os no elo mais fraco do nosso desgraçado sistema de ensino."
"Apesar de tudo o que têm sofrido, no silêncio próprio de quem não tem os microfones ministeriais sempre a jeito dos seus argumentos nunca questionados, não tenho a menor dúvida de que os professores deste país são heróis desconhecidos, que não se deixam abater, que resistem, que choram de raiva, mas que ficam de pé."
Vitor Serpa in A BOLA

Depois de ler o currículo eis a confirmação: Ministra da Educação precisa-se!!!

Analisando o seu percurso académico e profissional, do ponto de vista teórico, a Ministra constítuiria uma candidata a ter em conta para o preenchimento de um cargo de direcção na área dos Recursos Humanos! E a verdade é que a sua actuação enquanto Ministra da Educação se tem limitado a questões essencialmente laborais!

Em 16 meses de exercício a actual Ministra da Educação apresenta como "política educativa" a realização dos Concursos Anuais de Professores, o Decreto-Lei 20/2006 (que revê o regime jurídico do concurso para selecção e recrutamento do pessoal docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, revogando o Decreto-Lei n.º 35/2003) e uma proposta de revisão do actual Estatuto da Carreira Docente, implementado há menos de 7 anos pelo também socialista Guilherme d'Oliveira Martins!

A forma como desencadeou e gere o conflito com a classe docente torna evidente o seu pensamento sobre a problemática da Educação! Aliás esta é uma prática comum entre os "gestores" lusitanos! A definição de objectivos, a política de desenvolvimento e a estratégia de actuação interessa-lhes pouco! Fundamental é atribuir culpas e atacar o desempenho laboral dos recursos humanos!

Enquanto Ministra/Gestora a sua palavra de ordem é OPTIMIZAR e isto em Educação paga-se muito caro! Limitar a política educativa a um exercício economicista e inconsequente de gestão de recursos humanos trará um sucesso escolar estatístico mas irreal, trará a degradação das condições de trabalho docente, a desmotivação e a destruição do primado da escola pública!

Portugal precisa como nunca de um projecto de desenvolvimento sustentado e este cenário torna imperativo encontrar um Ministro da Educação que o seja verdadeiramente!

Avaliemos o currículo da Sra. Ministra!

Maria de Lurdes Reis Rodrigues

Nascida em Lisboa, a 19 de Março de 1956
- Provas de Agregação em Sociologia no ISCTE, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa - 2003
- Doutoramento em Sociologia no ISCTE - 1996
- Licenciatura em Sociologia no ISCTE - 1984

Actividade Profissional

- Presidente do Conselho Científico do ISCTE - 2004-2005
- Docente no Departamento de Sociologia do ISCTE, na Licenciatura de Sociologia - 1986-2005
- Investigadora do CIES, Centro de Investigação e Estudos em Sociologia.
- Presidente do Observatório das Ciências e das Tecnologias do Ministério da Ciência e da Tecnologia - 1997-2002
- Representante nacional no Grupo Indicadores para a Sociedade da Informação (WPIIS) da OCDE - 1999-2002
- Representante nacional no Working Party of R&D and Innovation Survey, do Eurostat - 1996-2002
- Representante nacional no Grupo NESTI (Working Party on National Experts on Science and Technology Indicators) da OCDE
- Participação nos trabalhos de instalação do Arquivo Histórico-Social na Biblioteca Nacional de Lisboa - 1985-1989
- Actividade profissional e funções de direcção, coordenação e consultoria, em diferentes instituições públicas e privadas, nos domínios da gestão dos recursos humanos e da formação profissional - 1978-1985
- Coordenou projectos de investigação e grandes operações de inquérito e orientou teses de mestrado e doutoramento

Publicações

É autora de diversos trabalhos, publicados com bastante regularidade, com especial destaque nas áreas de Sociologia das Profissões e Sociedade da Informação

- (no prelo) «O papel social dos engenheiros», em Manuel Heitor (org.) A engenharia em Portugal no Século XX, Lisboa, D. Quixote
- (no prelo) «As mulheres engenheiras em Portugal», em Ana Cardoso de Matos e Álvaro Ferreira da Silva (orgs.), Engenheiros e Engenharia em Portugal. Séculos XIX e XX, Évora, CIDEHUS/Colibri
- 2004 «Entre culture française, myte anglais et esprit allemand: genèse de l`enseignement technique au Portugal» em La formation des ingénieursen perspective. Modeles de référence et réseaux de médiation (XIXe et XXe siècles), Rennes, Presses Universitaires de Rennes
- 2004 «A utilização de computadores e da Internet pela população portuguesa», Sociologia, Problemas e Práticas, n.º 43 (co-autoria)
- 2004 «Associativismo Profissional em Portugal: entre o público e o privado» em João Freire, Associações Profissionais em Portugal, Oeiras, Celta Editora
- 2003 «A profissão de engenheiro em Portugal e os desafios colocados pelo Processo de Bolonha», em jornadas O Processo de Bolonha e as Formações em Engenharia, Universidade de Aveiro (difusão em DVD e em http://paco.ua.pt/documentos/?p=Bolonha)
- 2003 «Qualificação da população activa em Portugal 1991-2001», em Grupo Parlamentar do PS, Novas Políticas para a Competitividade, Oeiras, Celta
- 2002 «Sociedade da informação em Portugal: estratégia e acção política (2000-2001)», Anuário da Comunicação 2001-2002, Lisboa, Observatório da Comunicação
- 2002 «O crescimento do emprego qualificado em Portugal», Sociologia, Problemas e Práticas, n.º 40
- 2002 «Engenharia e sociedade: a profissão de engenheiro em Portugal», em José Maria Brandão de Brito (org.), Engenho e Obra, Lisboa, D. Quixote
- 2002 «A sociedade da informação em Portugal: metodologias de observação», em Indicadores de Ciência y Tecnologia en Iberoamerica, Agenda 2002, Argentina, RICYT
- 2001 «O metro no quotidiano de Lisboa», em Fernanda Rolo (org.), Um Metro e Uma Cidade. História do Metropolitano de Lisboa, Vol. III, Lisboa, Edição do Metropolitano de Lisboa (co-autoria)
- 2000 «Rumo a uma sociedade do conhecimento e da informação», em António Reis (org.) Portugal no Ano 2000, Círculo de Leitores e Comissariado da Expo 2000 Hannover, Lisboa (co-autoria) (texto publicado também na versão alemã da mesma obra)
- 2000 «Recursos humanos na sociedade da informação», Cadernos de Economia, Lisboa (co-autoria)
- 2000 «Ciência e tecnologia», O Economista, nº 13
- 2000 «Os portugueses perante a ciência», em Maria Eduarda Gonçalves (org.), Cultura Científica e Participação Política, Oeiras, Celta
- 1999 Os Engenheiros em Portugal, Oeiras, Celta
- 1999 «A cidade subterrânea: Lisboa e o metropolitano (1957-1997)», Inforgeo, n.º14 (co-autoria)
- 1998 «Profissões: protagonismos e estratégias», Portugal, que Modernidade?, Oeiras, Celta (co-autoria) (texto publicado também na versão inglesa da mesma obra)
- 1997«Le génie electrotechnique au Portugal», em Laurence Badel (org.), La Naissance de L´Ingénieur-Électricien. Origines et Développement des Formations Nationales Électrotechniques, Paris, Association pour L'Histoire de l'Electricité en France/PUF
- 1997 Sociologia das Profissões, Oeiras, Celta (2.ª edição 2001)
- 1996 «Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)», «Manuel Rocha», «Edgar Cardoso», «Duarte Pacheco» e «Congressos de Engenharia», em Fernando Rosas e J.M. Brandão de Brito (orgs.) Dicionário de História do Estado Novo, Lisboa, Círculo de Leitores (co-autoria)
- 1995 As Chefias Directas na Indústria, Colecção Estudos, Lisboa, IEFP (co-autoria)
- 1995 «Atitudes da população portuguesa perante o trabalho», Organizações & Trabalho, nº 14
- 1995 II Inquérito à Situação Socio-Profissional dos Diplomados em Engenharia, 1994. Relatório Global, Comité Nacional FEANI (policopiado)
- 1994 «A situação dos engenheiros em Portugal entre 1972-1991», Organizações & Trabalho, nº 10
- 1993 Sociedade, Valores Culturais e Desenvolvimento, Lisboa, Publicações D.Quixote (co-autoria)
- 1993 «Mulheres empresárias: contribuição para o estudo do trabalho feminino», Organizações & Trabalho, nº 5/6
- 1992 «Os encarregados na indústria portuguesa», Sociologia Problemas e Práticas, nº 11 (co-autoria)
- 1991 «Woman managers in Portugal»,Iberian Studies, 20 (1&2)
- 1990 Empresários e Gestores da Indústria em Portugal, Lisboa, D. Quixote (co-autoria)
- 1990 «Mulheres 'patrão'», Sociologia, Problemas e Práticas, nº 8
- 1989 «Mulheres na função empresarial», Organizações & Trabalho, n.º 1

Funções governamentais exercidas

Desde 2005-03-12 desempenha o cargo de Ministra da Educação do XVII Governo Constitucional

in Portal do Governo

Educação, Demagogia e Engenharia Social! Parte II

Também fomos atingidos, e em grande força, pela doença do politicamente correcto que atacou grande parte da nossa sociedade e que leva à discussão dos assuntos “no plano das ideias”, pretensamente elevadas, recusando a concretização comezinha, para que se não “ridicularize a questão”, como se tornou habitual ouvir a governantes, com destaque para os da área da Educação.
Mas, o grande, enorme problema é que a vida das pessoas acontece na realidade do quotidiano e não nas nuvens etéreas das cabeças pensadoras que legislam a partir dos gabinetes ou das cabeças falantes e escrevinhadoras que nos servem em bandeja de prata numa comunicação social crescentemente acomodada.
No caso da Educação, utilizando uma metáfora não particularmente brilhante, encontramo-nos num beco estreito, mal iluminado e apenas com um par de saídas possíveis, sendo que uma exigiria uma reavaliação de muito do que foi feito de errado nas últimas duas décadas (e a realidade existente prova à saciedade que os erros existiram) e o retorno a um ponto de partida, para daí se enveredar por outro caminho, enquanto a outra passa pela fuga em frente em que temos vindo a estar constantemente, reformando mal em cima de reformas elas próprias já mal aplicadas anteriormente.
Sejamos claros e concisos nas opções que devem estar sobre a mesa: Ou queremos um sucesso educativo estatístico, mesmo que à custa de uma galopante iliteracia funcional, e então está certo continuar a soterrar em papelada a questão da avaliação dos alunos e a acusar os docentes de serem os culpados de não conseguirem encontrar a solução para o insucesso dos alunos, ou queremos uma sucesso educativo efectivo, só possível com o aumento do rigor, do esforço e do grau de exigência colocado a TODOS os agentes no processo educativo (alunos, docentes, famílias e poder político), recuperando a Escola como um local de trabalho e fruição e o Professor como alguém que não é um mero gatilho da aprendizagem mas um guia dessa aprendizagem, qualificado para o efeito e digno do respeito dos seus alunos, dos seus pares profissionais, das famílias e da sociedade.
Mas para isso era necessário reformar a Educação a sério e não limitar a intervenção à cosmética legislativa do costume, calcada sobre as Escolas com recurso ao aparato dos despachos, circulares e outros documentos afins, destinados a explicar o que as leis mal concebidas, mal planeadas e mal redigidas não conseguem por si mesmas.
Mas para isso era indispensável repensar a Docência como categoria profissional que merece ser respeitada não apenas no plano teórico, mas essencialmente na prática. Só que para tal era indispensável tocar em muitos interesses instalados, desde as instituições que formam professores de aviário, com currículos desfasados da realidade aos órgãos de gestão das escolas que, para se perpetuarem nos cargos, se tornam meras correias de transmissão das directrizes superiores, sem capacidade de análise crítica, de resistência e de utilização das margens de manobra permitidas pelo Regime de Autonomia.
Mas para isso era necessário que se combinasse um sistema de recrutamento/colocação de professores que, respeitando critérios de justiça e equidade, permitisse a criação de corpos docentes coesos nas Escolas, sem que tal significasse apenas a institucionalização de redes clientelares nessas mesmas escolas. E era necessário que os quadros de pessoal estivessem adequados às necessidades reais e não aos humores orçamentais do Poder Central ou às estratégias pouco claras dos poderes locais (leia-se Conselhos Executivos que manejam habilmente as aberturas de novas vagas e as requisições de docentes).
Mas para isso era essencial que os professores enquanto classe profissional, apesar da sua enorme dimensão, recuperassem um espírito de grupo que a deficiente acção dos sindicatos ajudou a corroer, com o seu divisionismo interno, a sua fragmentação em cliques com projectos estranhos à classe e com a perda de ligação das principais cúpulas aos problemas concretos de quem trabalha nas Escolas. Porque a verdade é que, na quase certa impossibilidade de criação de uma Ordem dos Professores capaz de congregar a classe docente para a discussão dos assuntos da sua actividade que ultrapassam as meras e redutoras (embora importantes) questões laborais e/ou salariais, os Sindicatos deviam ter um papel mobilizador que não se limitasse às greves da praxe, não seguindo a reboque das circunstâncias e apenas reagindo às agendas ministeriais. E, principalmente, os docentes deveriam poder olhar para os seus representantes sindicais e encontrar neles gente que tivesse contacto directo com a realidade e que, não caindo nas velhas tiradas trauliteiras, tipo cassete-sindical com 25 anos, tivesse coragem de não se intimidar perante o discurso do politicamente correcto da aliança de interesses entre o Ministério e as Associações de Pais.
Paulo Guinote in Associação de Professores de História

quinta-feira, junho 15, 2006

Imagem do dia!


in VISÃO

quarta-feira, junho 14, 2006

Eis a competência e o rigor de que a Ministra tanto fala!


A Sra. Ministra da Educação afirmou que a greve de hoje "terá consequências muito prejudiciais para os alunos, sobretudo para aqueles que terão exames a partir da próxima semana"!
Se a Sra. Ministra tivesse consultado o Calendário Escolar 2005/2006 teria constatado que os alunos que realizarão os seus exames na próxima semana (9º e 12º anos) encerraram o seu ano lectivo no passado dia 9 de Junho!
Das duas uma; ou a Sra. Ministra não conhece o Calendário Escolar ou simplesmente mentiu fazendo pura demagogia e propaganda anti-docente primária!

MAIS DE 7000 PROFESSORES APROVEITARAM A GREVE EM VÉSPERA DE FERIADO PARA RUMAREM À PRAIA DA 5 DE OUTUBRO!
APESAR DO DIA POUCO SOALHEIRO OS DOCENTES BANHARAM-SE DURANTE MAIS DE 3 HORAS NAS ÁGUAS QUENTES DE JUNHO!

Ministra acusa professores de nunca fazerem greve ao Sábado ou ao Domingo prejudicando desta forma os alunos!

A ministra da Educação acusou hoje a Federação Nacional de Professores de ter uma agenda partidária e de ter convocado uma greve prejudicial para os alunos. A Fenprof já negou a acusação de partidarismo, afirmando que o seu objectivo é construir escola pública de qualidade.
"Há sindicatos capturados por partidos e que têm uma agenda que não é a educação", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, no final da reunião do Conselho de Ministros.
Explicando ter apresentado aos seus colegas de Governo o ponto da situação do processo de revisão do estatuto da carreira docente, Maria de Lurdes Rodrigues garantiu ter havido “no Conselho de Ministros uma incompreensão generalizada em relação à greve marcada para hoje, porque se tratou da primeira reacção ao início de um processo negocial”.
Provavelmente ofender e responsabilizar injustamente os professores não terá sido o melhor "início de um processo negocial"!
A ministra da Educação sublinhou que a greve "terá consequências muito prejudiciais para os alunos, sobretudo para aqueles que terão exames a partir da próxima semana".
Foi para ter este argumento que a Sra. Ministra adiou a apresentação da proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente de Fevereiro para o passado dia 29 de Maio?
Ainda assim, a ministra admitiu que “os professores que fazem greve estão a exprimir uma insatisfação pelas mudanças que estão a ser propostas”. “É natural que haja insegurança e até um sentimento de fragilidade em relação às medidas, porque está em causa uma mudança radical" no sector”, acrescentou.
Uma mudança radical no sector passará certamente pelos professores mas nunca prioritáriamente como este ME está a querer fazer crer!
in PÚBLICO

Será que ainda existem convicções?

Hoje é dia de greve nacional dos professores, a terceira desde que este Governo tomou posse. Convocada pela Fenprof, a jornada de protesto inclui mais duas acções durante a tarde: um plenário nacional, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, seguido de uma manifestação junto ao Ministério da Educação.
"Os professores estão revoltados, quer com as declarações políticas, que só servem para os desvalorizar e desmotivar, quer com a proposta política de estatuto da carreira docente, que dinamita completamente a anterior", explicou ontem Paulo Sucena, durante uma conferência de imprensa, em Coimbra, em que desvalorizou o facto de a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação não aderir à greve.
No centro da discórdia estão as propostas apresentadas pela tutela para a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), que a Fenprof considera inaceitáveis. A paralisação recebeu, entretanto, o apoio de outras estruturas sindicais. Apesar de ter decidido não entregar qualquer pré-aviso de greve, também a Federação Nacional do Ensino e Investigação apelou aos seus associados para participarem na manifestação.
Mas há quem tenha optado por formas de protesto diferentes: os professores da Escola Secundária de Macedo de Cavaleiros decidiram assinalar a jornada com uma sátira à proposta do ministério de avaliação dos docentes por parte dos pais. Em vez de fazer greve, os professores vão envergar t-shirts pretas onde, à frente, se lê "Sorria" e, na parte de trás, se explica "Está a ser avaliado". Na Escola Secundária de Eça de Queirós (Olivais, Lisboa), os professores fazem greve mas vão estar presentes no local de trabalho.
As propostas de alteração ao ECD foram apresentadas pela ministra no final de Maio. Maria de Lurdes Rodrigues anunciou então que pretendia que os pais e encarregados de educação tivessem uma participação na avaliação dos professores dos filhos. Uma participação "minimalista mas consequente", explicou em entrevista ao PÚBLICO e Rádio Renascença dias depois.
Se os ânimos ficaram exaltados com a apresentação da proposta, as declarações proferidas pela ministra da Educação, na Maia, alguns dias depois - disse que o trabalho das escolas "não se encontra ao serviço dos resultados e das aprendizagens" - funcionaram como a gota de água: a Fenprof pediu de imediato a sua demissão e convocou a greve nacional de hoje.
As propostas do ministério passam por uma entrada mais selectiva na profissão (através de um exame nacional), para além de um estágio acompanhado por um professor supervisor.
A imposição de quotas para progressão na carreira é outro dos pontos polémicos. Os sindicatos acusam o ministério de não querer promover o mérito na avaliação dos professores, mas apenas impor barreiras à sua progressão profissional por razões economicistas, determinando que, por exemplo, apenas um terço dos docentes do quadro possa aceder à categoria de professor titular.
in PÚBLICO

terça-feira, junho 13, 2006

O Governo mostra na Saúde como pretende poupar na Educação!

Uma grávida perdeu o filho à chegada a Portalegre, ao final da tarde de segunda-feira, quando era transportada de Elvas para a maternidade da capital de distrito, informou fonte dos Bombeiros. O caso aconteceu horas depois do encerramento oficial da sala de partos de Elvas, decretado pelo Ministério da Saúde.
A jovem caboverdiana, de 21 anos, residente na cidade e estudante na EPRAL, encontrava-se na 23.ª semana de gestação e entrou nas urgências do Hospital de Santa Luzia na tarde de 12 de Junho queixando-se de dores. A unidade de saúde encaminhou a grávida para Portalegre, sem qualquer acompanhamento clínico. Na ambulância, que foi solicitada pelo Hospital às 18h10, apenas seguia o motorista dos Bombeiros Voluntários de Elvas e uma familiar da grávida. O bebé morreu à chegada ao Hospital José Maria Grande, garantiu a mesma fonte, tendo a jovem ficado internada.
in EXPRESSO

segunda-feira, junho 12, 2006

Escola encerrada depois de professora agredida!

A Escola EB1 S. Gonçalo, no Lumiar, esteve encerrada esta segunda-feira, por decisão dos professores, depois de uma docente ter sido agredida sexta-feira por um casal familiar de um aluno do estabelecimento.
De acordo com o relato feito à agência Lusa pela presidente do Sindicato Democrático dos Professores da Grande Lisboa (SDPGL), Maria Conceição Pinto, a decisão de encerrar a escola foi tomada pelos professores e o estabelecimento vai manter-se fechado «enquanto não se resolver o problema de segurança». A informação sobre o fecho do estabelecimento, segundo Maria Conceição Pinto, está afixada num cartaz colocado à porta da escola na sexta-feira.
A dirigente sindical adiantou que o órgão executivo do Agrupamento de Escolas Pintor Almada Negreiros - a que pertence a EB1 S. Gonçalo -, «telefonou de imediato à Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) a comunicar o incidente» e que obteve como resposta a indicação de que «ninguém fale com a comunicação social e que a escola não feche».
O incidente ocorreu sexta-feira, pela hora de almoço, quando a professora em causa, que é coordenadora da escola e membro do conselho-geral do SDPGL, se encontrava dentro do estabelecimento de ensino, explicou Maria Conceição Pinto.A docente, que está na escola há quase duas décadas, terá chamado a atenção a um aluno, com cerca de 13 anos, que estava a atirar cascas para o chão. Este ignorou o aviso da professora, que fez menção de lhe segurar a mão para que o jovem apanhasse as cascas, mas este escapuliu-se.
Segundo o relato da dirigente sindical, «pouco tempo depois» terá entrado na sala onde estava a docente um casal de etnia cigana, aparentemente familiares próximos do aluno, que a insultou, tentou arremessar-lhe à cabeça um balde de lixo de alumínio e lhe bateu na cara e na cabeça repetidas vezes até que os restantes professores e auxiliares conseguiram por cobro ao ataque. A professora, de 50 anos, foi assistida pelo Instituto Nacional de Emergência Médica na escola e vai ficar de baixa, adiantou Maria Conceição Pinto.
A sindicalista acrescentou não ter conhecimento de outras agressões a docentes neste estabelecimento, mas acentuou que a escola tem vários problemas de segurança (nomeadamente devido a «brincadeiras perigosíssimas» com que alguns alunos assediam outros), que haviam levado já a professora atacada a solicitar a presença da polícia no recreio durante os intervalos.
Naquela tarde, «a polícia havia acabado de sair» do estabelecimento, pormenorizou a sindicalista, que frisou que, «pouco tempo depois [do ataque à docente] vieram logo à escola outras pessoas de etnia cigana, pais de alunos, muito incomodados, muito revoltados com a situação, a lamentar que, por causa de uns, ficam todos com a mesma fama».
in VISÃO

sexta-feira, junho 09, 2006

Sistema de ensino português não põe os alunos a pensar!

O que tem falhado no ensino da Matemática? É um problema de sociedade, de cultura do País, de um ensino que não põe os alunos a pensar. O diagnóstico tem sido feito ao longo dos anos por vários especialistas e vai para além do que se passa nas salas de aula e da relação de alunos com professores: abrange a organização da escola e o facilitismo na educação.
João Pedro da Ponte, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, garante que o problema da Matemática "é um problema geral com a escola", que não é valorizada pela sociedade portuguesa. Este especialista no ensino de Matemática afirma que os alunos têm "um envolvimento cada vez menor relativamente à escola, em particular no que diz respeito à Matemática e às Ciências, porque não requerem um trabalho mais continuado".
Mas o facto de ser um problema geral de sociedade não impede que haja um plano especial de intervenção nesta área em específico: "É importante que se intervenha na Matemática e nas Ciências, porque isso pode sinalizar as áreas prioritárias", defende. Mas este esforço de aprofundamento deverá ter um efeito de arrastamento, para chegar ao Inglês e ao Português.
Estas disciplinas - sobretudo a língua portuguesa - podem explicar também algum insucesso nas áreas científicas. António Batel, investigador da Universidade de Aveiro que tem desenvolvido um programa de diagnóstico no ensino da Matemática, explica que resolver problemas implica "ler e interpretar". E aqui "o primeiro problema é o português".
O diagnóstico deste especialista abrange todo o sistema de ensino que "não põe os alunos a pensar, a resolver problemas, nem os aproxima da vida real". E também os manuais contribuem para as deficiências na aprendizagem: "Não estão vocacionados para a resolução de problemas e são mais receituários que trazem exercícios meios mastigados."
O diagnóstico que efectuou a alunos portugueses, no âmbito de um protocolo com a Direcção Regional de Educação do Centro, aponta falhas na lógica e na capacidade de resolução de problemas. E é aí, diz, que qualquer plano tem que incidir, assim como no desenvolvimento de um raciocínio lógico.
O dedo tem também sido apontado aos professores, às deficiências da sua formação e, às vezes, à sua falta de vocação para o ensino. Mas Manuela Pires, vice-presidente da Associação de Professores de Matemática, afirma que "o problema tem que ser visto de forma mais global, porque mesmo os muito bons professores não conseguem, muitas vezes, resultados que sejam significativamente diferentes". Por isso, antes de individualizar num ou noutro docente, é preciso um "plano global" que permita ao sistema agarrar um aluno assim que ele comece a "escorregar" e não deixar prolongar as dificuldades, que tornam a recuperação quase impossível.
in DN

Escolas vão poder dar mais horas de Matemática!

A partir do próximo ano lectivo, as escolas dos 2.º e 3.º ciclos do básico vão poder recrutar docentes para reforçar o ensino da Matemática. Mas não só. Para combater o insucesso à disciplina, as escolas vão poder ainda aumentar, temporariamente, a carga horária da turma, caso o considerem necessário.
As medidas estão previstas no Plano de Acção para a Matemática, apresentado hoje pelo Ministério da Educação, e serão financiadas pela tutela.
O plano surge como uma tentativa de inverter o quadro negro dos resultados à disciplina. Basta pensar nas notas dos exames nacionais do 9.º ano a Matemática: 70% de negativas. O objectivo é criar "condições inovadoras para que as escolas assumam um papel principal neste desafio", de forma autónoma.
Assim, caberá aos estabelecimentos de ensino e aos professores fazer um levantamento das notas dos alunos à disciplina no ano anterior, identificar as causas do insucesso, estabelecer metas de resultados e propor soluções, adaptadas a cada turma.
Estes dados, os recursos (materiais e humanos) necessários e os custos previstos devem ser apresentados pelas escolas ao ministério, sob a forma de projectos de melhoria de resultado.
Para apoiar a execução destes planos - aprovados por uma comissão nomeada para o efeito - a tutela abrirá programas de financiamento, através de contratos - programas com as escolas.
Das várias soluções possíveis, o ministério de Maria de Lurdes Rodrigues destaca três grandes eixos: "O reforço dos equipamentos de ensino com laboratórios de matemática, o reforço pontual e temporário das cargas horárias de turma (em função da necessidade) e o reforço excepcional dos docentes atribuídos a uma turma a Matemática."
Dois professores por turma!
As hipóteses são múltiplas, mas, na prática, a escola pode propor, por exemplo, um regime de co-docência, em que dois professores podem dar aulas à mesma turma, caso se entenda necessário e o ministério concorde. Em todo o caso, e segundo Ramos André, adjunto da ministra, a contratação de docentes extras é uma solução "sempre temporária" e só se aplicará se não houver na escola professores suficientes para executar o projecto proposto.
É neste sentido que o regulamento prevê "o reforço do tempo dedicado ao trabalho no âmbito da disciplina" - e que poderá implicar a "afectação de outros docentes com formação adequada". Não só os diferentes professores do agrupamento de escola - nas componentes lectiva e não lectiva - mas também outros docentes de Matemática e "peritos externos ou instituições científicas que prestem apoio à execução ou avaliação do projecto".
As orientações da tutela resultaram de uma série de sugestões feitas por docentes, depois de um debate nacional que, segundo o ministério, envolveu todos os professores de Matemática e decorreu entre Outubro de 2005 e Março deste ano. Pelo caminho, no entanto, ficaram propostas de actuação rejeitadas pela tutela, como a da divisão das turmas.
O plano prevê ainda o lançamento de programas de formação contínua em Matemática para professores: não só para os do 1.º ciclo - como já aconteceu este ano - mas agora também para os do 2.º.
Está ainda previsto o apoio à formação de docentes do 3.º ciclo e secundário. As candidaturas ao apoio financeiro devem ser apresentadas até 28 de Julho.
O acompanhamento de cada projecto ficará a cargo de um docente supervisor, nomeado pelo Gabinete de Avaliação Educacional.
in DN

quinta-feira, junho 08, 2006

Ministra da Educação quer afastar ainda mais os pais dos filhos! A escola substituirá a familia!

A ministra da Educação manifestou ontem a intenção de acabar com os trabalhos de casa. As tarefas que os alunos do ensino básico têm que cumprir fora da sala de aulas, afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, devem ter a escola por palco e os professores por apoio.
Esta vontade da ministra surge consagrada na nova actividade de enriquecimento curricular, designada de Estudo Acompanhado, e que deverá ter um tempo semanal de 90 minutos. Estas novas medidas, a serem aplicadas a partir do próximo ano lectivo em todas as escolas do primeiro ciclo do ensino básico, incluem ainda a obrigatoriedade de cada escola oferecer, em prolongamento do horário até às 17.30, e para além do Inglês, mais duas ocupações. O destaque vai para a educação musical e para o desporto.
Mas ontem, no seu discurso, a ministra da Educação não se cansou de destacar o papel que reserva ao Estudo acompanhado. É que, defendeu, os trabalhos de casa são sobretudo uma forma de "reprodução das desigualdades sociais". Ou seja, para quem tem pais preparados, com tempo para ajudar ou meios de pagar um ATL, os trabalhos de casa podem ser uma forma de crescimento. O problema são os alunos, cujos pais não têm tempo, meios ou preparação suficiente.
E por isso, "para que a escola seja mais igual", os trabalhos de casa têm que ser transformados em "trabalho individual nas escolas, com apoio dos recursos lá existentes", nomeadamente biblioteca e computadores com ligação à Internet. A ideia é que os alunos possam "progredir sozinhos, mas acompanhados pelos professores de forma a desenvolverem as suas capacidades de aprendizagem".
Este novo esforço que o Governo pede agora às escolas básicas resulta do facto de estas serem locais de "aprendizagem de competências", mas também de "combate à desigualdade social que as mitigam" e, neste campo, um dos factores "mais importantes" são os "trabalhos para casa" que devem ser reconvertidos em trabalho individual.
Maria de Lurdes Rodrigues salientou a "grande alegria" por estar ontem numa escola, onde foi acompanhada pelo primeiro ministro e onde até teve direito a palmas. Um sinal, diz, que a fez perceber que "não está sozinha" e que "há muita gente por trás a apoiar para que as coisas de educação aconteçam". É assim que, "apesar de tudo, temos conseguido concretizar a Escola a Tempo Inteiro".
Uma concretização do programa - que teve início este ano lectivo - que passa pela definição, por parte do Ministério da Educação, das "condições de apoio para concretizar um projecto de consolidação do ensino básico", em parceria com as autarquias. O objectivo desta orientação, garante Maria de Lurdes Rodrigues - e que retomou assim um tema "quente" quando considerou que a cultura profissional dos docentes não está orientada para o sucesso dos alunos -, é ter em vista "sobretudo os resultados escolares".
in DN

Educação, Demagogia e Engenharia Social!

A Educação torna-se, de forma cíclica, o assunto do dia e o campo onde os discursos politicamente correctos, populistas e demagógicos se entrincheiram para mais uma vez apresentarem à opinião pública, mais do que argumentos, fórmulas mágicas para alcançar o sucesso.
A estratégia está longe de ser nova e, a avaliar pelos resultados que temos, deixa muito a desejar em termos de eficácia, pois continuamos à roda com o insucesso escolar e educativo mais elevado da Europa, seja ela toda, só a da União Europeia, apenas a do Sul ou seja qual for a divisão que fizermos.
Mas periodicamente lá vem uma investida, seja a propósito de algum relatório internacional, de uma qualquer iniciativa menos entorpecedora do poder executivo ou apenas por causa de uma greve dos professores mais visível do que as outras.
Os números andam por aí à solta, para serem agarrados por quem deles precisa, conforme as ocasiões, e justificam o alarme.
Recentemente o Diário de Notícias titulava em parangonas que em 2001, 25% dos jovens dos 15 aos 24 anos não completaram o Ensino Básico e 44% não completaram o Secundário, sendo que 15-17000 todos os anos abandonam o sistema educativo sem a escolaridade obrigatória.
Só que os números são paradoxais, porque Portugal também é dos países em que existem mais licenciados sem emprego (já andam pelos 60.000, constituindo 15% dos desempregados) e cursos superiores sem alunos, pondo em risco o posto de trabalho de umas centenas de docentes do Ensino Superior.
Isto significa que temos um sistema educativo completamente distorcido e que foi sendo modelado por conveniências e agendas políticas (em especial no caso da explosão do Superior privado de final dos anos 80 e inícios de 90), mais do que por qualquer tipo de lógica ou de adequação às necessidades internas.
Afirmou-se que a Educação é um Direito, o que é verdade e muito legítimo, mas ninguém se lembrou de acrescentar que não temos um país preparado para absorver uma mão de obra qualificada, em particular quando é qualificada em áreas que são baratas de criar em termos de Ensino Superior, mas sem canais de escoamento no mercado de trabalho.
Somos, a um tempo, um país com défice educativo e excesso de qualificações para o mercado de trabalho que temos.
Porquê?
Porque o problema está, não na Escola, mas no modelo de sociedade desenvolvida e periférica que continuamos a ter, vivendo de aparências e miséria ou melhor dizendo, de miseráveis aparências.
Provavelmente, a taxa de desemprego em jovens sem a escolaridade não andará muito longe da dos recém-licenciados pois o emprego precário, não fiscalizado, que aceita carne jovem desqualificada para part-times em grandes superfícies, na construção civil ou nos bate-chapas, em troca de pouco dinheiro, se mantém florescente.
Outro equívoco, é tentar fazer esquecer que o insucesso escolar começa fora da Escola, nos ambientes familiares economicamente vulneráveis e receptivos ao abandono escolar em troca de 40-50 contos mensais, escondidos ao Fisco e à Segurança Social.
Porque são muitas as famílias que sentem ser mais rentável (claro que numa perspectiva de curto prazo) o emprego precário do miúdo complicativo, sempre a querer ter os ténis da moda, do que a aposta numa escolaridade mais longa que, em boa verdade, também não garante entrada no mercado de trabalho.
Assim, torna-se quase mais racional deixar um filho ou filha sair do sistema educativo aos 16-17 anos com 2 ou 4 repetências para ir trabalhar (”o miúdo não tem jeito para a escola, o que ele precisa é de uma profissão”), do que esperar até aos 22, 23 ou 24 anos para tirar um curso, cujo resultado final é ser demasiado qualificado para os empregos disponíveis.
E a formação profissional que por aí tem andado, mesmo naquelas versões esquisitas arranjadas à pressa para dar um 9º ano de papel, também não conseguem resolver nada, porque tantas vezes são mais desenhadas a pensar nos interesses dos formadores amigos do que no futuro dos formandos.
Mas, para o discurso político e principalmente para a acção política, reformar a sociedade e desenvolver a economia, por forma a reduzir as crescentes bolsas de exclusão social, é algo demasiado árduo e complicado.
É mais fácil burocratizar o insucesso escolar e mandar os professores passar os meninos e meninas à força, sem atender ao facto de continuarem iletrados nas áreas básicas do conhecimento, de maneira a ter estatísticas mais coadunáveis com um estatuto europeu.
O atraso educativo português é tema de debate há quase 200 anos, desde os alvores do regime liberal e sempre se tentou encontrar nele a razão do atraso económico.
Só que a relação é inversa: o atraso económico e a debilidade financeira das famílias é que sempre desencorajou um maior investimento na escolaridade, se outra razão não fosse válida, porque muitos percebem que também não é uma estadia mais longa no sistema educativo que dá uma garantia de sucesso.
Mas os esforços de Engenharia Social têm sido muitos ao longo das décadas, para ocultar a evidência de ser a Educação a chave para o nosso Progresso, mas de ser necessária uma Educação de qualidade, rigorosa e passível de ter tradução posterior num mercado de trabalho capaz de absorver a massa cinzenta produzida pela Universidades.
Ora, como as estatísticas quanto à fuga de cérebros demonstram, nós nem conseguimos agarrar muitos dos nossos (escassos pelos padrões ocidentais) melhores quadros superiores, como vamos querer fazer crer que estar mais tempo na Escola terá um retorno económico (porque isto da cultura não se come ao pequeno-almoço e muito menos à janta…)?
Mas lá se vai empurrando a carroça, colocando-a à frente dos bois.
Milhentos Cursos Superiores a formar desempregados de luxo, condenados a aldrabar currículos para ter um lugar de caixa de supermercado ou de secretária de uma empresa.
E milhentos estratagemas para dar a escolaridade básica a quem não tem meios fora da Escola, para conseguir alcançar um verdadeiro sucesso escolar ou educativo.
E mais milhentos especialistas espalhados por gabinetes ministeriais, grupos de trabalho e comissões de estudo para analisarem a questão e darem a sua sagaz solução, resultado de muitas horas de comparação de números e leituras de relatórios nacionais e internacionais.
Mas tentar resolver o problema de uma sociedade crescentemente fracturada, com um crescente fosso de rendimentos e com uma obsessão pelo consumo instalada em todos os grupos sociais, isso não, porque dá demasiado trabalho.
A solução é a Educação, nem que seja à força, às cegas, pelo menos para cumprir metas estatísticas.
Mas para mais nada.
Paulo Guinote in Associação de Professores de História

quarta-feira, junho 07, 2006

PSD e PCP criticam ataques aos professores e aumento de violência nas escolas!

PSD e PCP criticaram hoje no plenário da Assembleia da República a política educativa do Governo socialista, lamentando os "acérrimos e indiscriminados" ataques aos professores e o aumento dos fenómenos de violência e indisciplina nas escolas.
"Chega de falinhas mansas, de retóricas de circunstância, de desculpas de mau pagador. O modelo de funcionamento dos estabelecimentos de ensino está errado, faliu", disse o vice-presidente da bancada do PSD Pedro Duarte.
Advogando "uma ruptura com o actual sistema educativo" que se encontra num "estado retrógrado", Pedro Duarte abordou o fenómeno da violência nas escolas que "tem vindo a aumentar de forma constante e sistemática".
"O Estado tem a obrigação e a responsabilidade de tudo fazer para que o medo e o caos não se instalem nas salas de aula", defendeu, criticando a "resignação" da ministra da Educação perante este problema e a sua atitude de rejeição de qualquer responsabilidade.
Contudo, acrescentou o vice-presidente da bancada do PSD, em vez de encarar de frente os problemas, a ministra da Educação prefere "inventar os seus bodes expiatórios, ensaiando mais um acérrimo e indiscriminado ataque aos professores", acusando-os "por todos os males do nosso ensino".
"A senhora ministra da Educação tem de fazer um esforço para perceber que jamais conseguirá melhorar o nosso ensino, sem os professores e, muito menos o conseguirá, contra os professores", salientou.
Antes ainda da intervenção de Pedro Duarte, já a deputada do PCP Luísa Mesquita tinha deixado criticas à política do Governo para o sector da Educação, nomeadamente à decisão de encerrar 1500 escolas do primeiro ciclo do ensino básico.
"Para este Governo a educação não é um investimento, mas sim uma despesa", acusou Luísa Mesquita, lamentando o clima de "suspeição generalizada" que existe sobre os educadores e os professores.
O CDS-PP e o BE juntaram-se também às críticas à política seguida pelo Ministério da Educação, com o deputado democrata-cristão Diogo Feio a defender, tal como o PSD, uma reforma do sistema educativo.
"O PS tem de terminar com esta postura conservadora", declarou o deputado do CDS-PP, enquanto a deputada do BE Alda Macedo defendeu a necessidade de se repor "o bom-nome dos docentes".
Pelo PS, a deputada Isabel Coutinho rejeitou as críticas feitas à ministra da Educação, nomeadamente quanto à poupança de recursos. "O que se está a fazer é apenas a racionalizar", disse, negando igualmente a existência de "qualquer ataque aos professores".
"É mais fácil criticar, intoxicar. Mas o que queremos é que apresentem soluções objectivas", acrescentou.Em resposta à intervenção do deputado do PSD Pedro Duarte, a deputada socialista Paula Barros adiantou que o Governo já está a preparar um diploma sobre violência nas escolas.
in PÚBLICO

O que mudará com o novo Estatuto da Carreira Docente!

VEJA O QUADRO COMPARATIVO

terça-feira, junho 06, 2006

Correntes de mails contra últimas propostas do Ministério da Educação para avaliar professores!

Os professores continuam indignados com as propostas do Ministério da Educação para a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD). Além das posições dos sindicatos, começaram também já a circular e-mails onde alguns docentes revelam a sua indignação e sugerem acções mais drásticas.
Numa mensagem enviada por correio electrónico é mesmo pedida a demissão em bloco dos conselhos executivos das escolas, revelam ao PÚBLICO duas professoras que quebraram a corrente, ou seja, não enviaram o texto a mais ninguém por não concordarem com o pedido.
Um grupo de professores do Algarve criou também uma página na Internet onde publicou uma carta de protesto contra o ECD e três propostas de iniciativas para cumprir todos os dias desta semana. Os docentes pedem aos colegas para enviar diariamente aquela carta à ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.
Ontem, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) esclareceu, em comunicado, que está disponível para negociar o ECD - que regula a carreira dos educadores de infância e dos professores do ensino básico e secundário -, ao contrário do que Maria de Lurdes Rodrigues declarou este fim-de-semana em entrevista ao PÚBLICO e à Rádio Renascença.
"A ministra sabe que considerar "inaceitável" a proposta que apresentou não é o mesmo que considerá-la "inegociável"; sabe, mas interessa-lhe confundir os conceitos", acusa a federação.
A Fenprof lembra que combinou com o ministério que lhe fará chegar uma proposta global de revisão do ECD depois de o conselho nacional se reunir, esta semana. Contudo, a sua proposta global não é uma reacção ao projecto da tutela, ressalva Mário Nogueira, dirigente sindical.
O parecer à proposta da tutela terá de ser construído com os professores e a Fenprof começou já por isso a reunir com os docentes para recolher as suas posições, informa o dirigente. "A Fenprof não se põe de fora das negociações, mas também não consideramos uma prioridade a revisão do ECD. O ministério é que a considera prioritária", continua Mário Nogueira.
A Confederação Nacional das Associações de Família (CNAF) declara-se entretanto contra a proposta da tutela de os pais avaliarem os professores.
A CNAF reúne cerca de uma centena de organismos ligados à família, intervenção social e ensino e é presidida pela ex-secretária de Estado Teresa Costa Macedo. Num comunicado ontem divulgado considera que a actividade dos docentes não deve ser avaliada por quem é interessado no processo.
in PÚBLICO

Ministra da Educação recebida com apupos e luto docente!


A ministra da Educação foi recebida por um séquito de professores, em luto silencioso, e por um ajuntamento de alunos, que não resistiram a lançar uma multiplicidade de apupos pejorativos, roçando, por vezes, o brejeiro.
Maria de Lurdes Rodrigues acabava de sair do seu carro ministerial para ultrapassar os portões da Escola Secundária da Maia e ser recebida pelo Júri Nacional de Exames. O encontro foi à porta fechada e pretendeu assinalar a abertura oficial da época de exames nacionais."Os professores desta escola são competentes e preocupam-se com o sucesso dos seus alunos", lia-se numa faixa que vários alunos seguravam. A mensagem chegou a estar no interior da escola, mas o presidente da comissão provisória de gestão, José Maria Silva, deu ordem para que os discentes deslocassem a faixa para o exterior, não se coibindo de perguntar a alguns professores de luto - estrategicamente colocados no passeio, junto aos portões - se eles não deveriam estar a dar aulas. A faixa detida pelos alunos era uma resposta directa à ministra.
Precisamente na Maia, Maria de Lurdes Rodrigues tinha dito, no dia 29 de Maio, que os professores pouco se preocupavam com o insucesso escolar e que eles eram o principal problema do sistema. Questionada sobre se não retirava uma vírgula àquelas suas declarações, a ministra surpreendeu "Não disse rigorosamente nada sobre os professores".
As professoras de luto, colocadas nas duas laterais aos portões da escola, ansiavam pela chegada da ministra e receavam que o seu gesto fosse mal interpretado. "Ela ainda pode pensar que é um acto de subserviência". Uma professora confessou, sem querer dar a cara, que o presidente da comissão de gestão chegou a ameaçar, nos dias anteriores, com sanções disciplinares aqueles docentes que participassem no luto silencioso.
"Já fui confrontada muitas vezes com a insatisfação e desmotivação. Lá fora, não estavam só professores, mas também alunos. Mas o mais importante é que, mesmo estando à espera, não deixei de vir", declarou a ministra, que, em relação à reportagem da RTP sobre violência nas escolas, disse ser "muito importante não criar ficções e explorar o receio dos pais".
in JN

segunda-feira, junho 05, 2006

Em que país estava a ministra da Educação?

"O passado é negro, mas a culpa não é, seguramente, dos professores. Os que resistiram a todos estes erros da responsabilidade do Ministério que tutela são quase heróis. Que mereciam ser estimados e bem pagos para permanecer na profissão."

Beatriz Pacheco Pereira, in PÚBLICO

REGIME LEGAL DA CARREIRA DO PESSOAL DOCENTE DA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR E DOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO


PROPOSTA DE ALTERAÇÃO

domingo, junho 04, 2006

As preocupações deste Ministério da Educação!

O Ministério da Educação (ME) pediu pareceres às comissões nacionais de protecção de dados e de protecção de crianças e jovens por suspeita de irregularidades na reportagem sobre violência escolar transmitida terça-feira na RTP.
Em declarações à agência Lusa, fonte do Ministério adiantou que há suspeitas de eventual violação do direito à imagem dos alunos filmados, pelo facto de estes não terem conhecimento de que estavam instaladas câmaras ocultas na escola e também porque os seus pais não autorizaram as gravações.
A RTP transmitiu terça-feira à noite uma reportagem intitulada «Quando a Violência Vai à Escola», com imagens obtidas a partir de câmaras ocultas instaladas num estabelecimento de ensino da periferia de Lisboa, que não é identificado na peça.
Na reportagem, elaborada com autorização do conselho executivo e dos docentes, as imagens de professores e alunos são desfocadas para que os intervenientes não possam ser reconhecidos.
Segundo fonte do ME, houve «sonegação de imagens e de informação» na reportagem, uma vez que só foram mostradas duas turmas e que apenas foram divulgadas imagens dessas turmas com os mesmos professores e não com outros, em que não havia registo de violência e indisciplina.
Considerando, por isso, que as imagens estão descontextualizadas, o ME decidiu ainda pedir pareceres à Entidade Reguladora da Comunicação Social e ao Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas.
Contactado pela Lusa, José Alberto Carvalho, director adjunto de informação da RTP, afirmou que a estação de televisão «tem a consciência profissional absolutamente tranquila em relação ao trabalho desenvolvido».
«As cautelas que tivemos foram evidentes durante toda a reportagem e no debate que se seguiu, em que a RTP impediu que fosse identificada a escola. Nunca foram identificados os menores envolvidos e os professores», explicou José Alberto Carvalho, adiantando que o objectivo da peça era «alertar para uma realidade que, não sendo dominante na escola pública portuguesa, todos reconhecem ser de uma grande opacidade».
«Tratou-se de uma reportagem pedagógica, como sustentam as centenas de telefonemas para a RTP naquela noite», adiantou, acrescentando não conhecer em concreto os fundamentos dos pareceres pedidos pelo ME.
A decisão do Ministério de consultar várias entidades sobre eventuais irregularidades na reportagem surge na sequência de uma carta enviada hoje pelo presidente do conselho executivo da escola em questão à Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL).
Na carta, a que a agência Lusa teve acesso, o responsável do estabelecimento de ensino considera que «as imagens que foram apresentadas na reportagem da RTP não são representativas da realidade actual da escola».
O presidente do conselho executivo adianta que «o clima escolar melhorou significativamente» nos dois últimos anos lectivos, mas reconhece que a escola ainda se depara com «alunos já classificados como delinquentes e conotados com crimes violentos», o que acarreta «graves problemas de indisciplina e violência no agrupamento» escolar.
«As imagens apresentadas reflectem uma das realidades da escola e que leva o conselho executivo deste agrupamento a repensar e a apresentar alguns programas de remediação e resolução desta realidade mais cruel: o interior da sala de aula de alguns professores», adianta o responsável.
Na carta, o director admite ainda não ter comunicado nem pedido autorização à DREL antes de permitir a captação de imagens na escola, mas afirma que «a recusa seria imediata», caso o pedido tivesse sido feito.
in Diário Digital / Lusa
É interessante e revelador verificar o que este Ministério da Educação considerou preocupante na excelente reportagem transmitida pela RTP!

sexta-feira, junho 02, 2006

Cromos TSF

Para reflectir!

"A escola não precisa de psicólogos, nem de psiquiatras: precisa de um código disciplinar e de uma guarda que o execute"

"A escola que por aí existe, como a democracia a fez, não passa de uma garagem gratuita onde os pais por comodidade e tradição metem as crianças. Não serve as crianças, que não a respeitam e, em grande percentagem, voluntariamente a deixam. Não serve os professores, que não ensinam e sofrem, ainda por cima, um vexame diário. Não serve a economia, a cultura ou o simples civismo dos portugueses. É inútil, quando não é nociva. Chegará, ou não chegará, o dia em que um governo se resolva a olhar para a realidade. Até lá não vale a pena gemer por causa de um monstro que Portugal inteiro viu crescer com equanimidade e deleite."

Vasco Pulido Valente in PÚBLICO

quinta-feira, junho 01, 2006

"Há tantos sonhos esquecidos no mundo dos Homens!"

A edição francesa de "O Principezinho", do escritor Antoine de Saint-Exupéry, completa 60 anos mantendo a marca de livro mais traduzido da história da literatura, além de ser uma referência para crianças e adultos de todo o mundo.
Saint-Exupéry (1900-1944) imaginou o personagem muito antes de começar a escrever o livro. Nos seus desenhos dos anos 30, é comum encontrar um personagem com o cabelo louro, vestido com um longo manto e cercado de estrelas.
Mas foi só em 1942 que Saint-Exupéry resolveu escrever um livro sobre o jovem. O editor americano Eugéne Reynal, vendo um desenho num guardanapo quando almoçavam juntos, sugeriu que transformasse o personagem no herói de um conto infantil. Seis meses depois nascia "O Principezinho".
Três meses mais tarde, a editora Reynal & Hitchcock publicou o livro nos EUA, nas versões em francês e inglês. Uma semana depois, Saint-Exupéry, que lutava como piloto contra as forças do Eixo, partiu para uma missão no Norte da África e nunca mais voltou.
Um ano após o fim da guerra, em 1946, o livro foi lançado na França, primeiro em folhetins, na revista "Elle", e depois como livro de bolso, pela editora Gallimard.
Hoje " O Principezinho" é um livro sem idade!
"Para mim, esta é a mais bela e mais triste paisagem do mundo. É a mesma paisagem da página anterior, mas voltei a desenhá-la para vocês a verem melhor. Foi aqui que o principezinho fez a sua aparição na Terra e, depois, desapareceu. Fixem bem esta paisagem para a poderem reconhecer se um dia fizerem uma viagem a África e forem ao deserto. Se passarem por ali, suplico-vos: não tenham pressa, fiquem um bocadinho à espera mesmo por baixo da estrela! Se Vier um menino ter convosco, um menino que se está sempre a rir, com cabelos cor de ouro e que nunca responde quando se lhe faz uma pergunta, já sabem quem ele é. E então, por favor, sejam simpáticos! Não me deixem assim triste: escrevam-me depressa a dizer que ele voltou..."
Antoine de Saint-Exupéry, in O Principezinho