quinta-feira, junho 08, 2006

Ministra da Educação quer afastar ainda mais os pais dos filhos! A escola substituirá a familia!

A ministra da Educação manifestou ontem a intenção de acabar com os trabalhos de casa. As tarefas que os alunos do ensino básico têm que cumprir fora da sala de aulas, afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, devem ter a escola por palco e os professores por apoio.
Esta vontade da ministra surge consagrada na nova actividade de enriquecimento curricular, designada de Estudo Acompanhado, e que deverá ter um tempo semanal de 90 minutos. Estas novas medidas, a serem aplicadas a partir do próximo ano lectivo em todas as escolas do primeiro ciclo do ensino básico, incluem ainda a obrigatoriedade de cada escola oferecer, em prolongamento do horário até às 17.30, e para além do Inglês, mais duas ocupações. O destaque vai para a educação musical e para o desporto.
Mas ontem, no seu discurso, a ministra da Educação não se cansou de destacar o papel que reserva ao Estudo acompanhado. É que, defendeu, os trabalhos de casa são sobretudo uma forma de "reprodução das desigualdades sociais". Ou seja, para quem tem pais preparados, com tempo para ajudar ou meios de pagar um ATL, os trabalhos de casa podem ser uma forma de crescimento. O problema são os alunos, cujos pais não têm tempo, meios ou preparação suficiente.
E por isso, "para que a escola seja mais igual", os trabalhos de casa têm que ser transformados em "trabalho individual nas escolas, com apoio dos recursos lá existentes", nomeadamente biblioteca e computadores com ligação à Internet. A ideia é que os alunos possam "progredir sozinhos, mas acompanhados pelos professores de forma a desenvolverem as suas capacidades de aprendizagem".
Este novo esforço que o Governo pede agora às escolas básicas resulta do facto de estas serem locais de "aprendizagem de competências", mas também de "combate à desigualdade social que as mitigam" e, neste campo, um dos factores "mais importantes" são os "trabalhos para casa" que devem ser reconvertidos em trabalho individual.
Maria de Lurdes Rodrigues salientou a "grande alegria" por estar ontem numa escola, onde foi acompanhada pelo primeiro ministro e onde até teve direito a palmas. Um sinal, diz, que a fez perceber que "não está sozinha" e que "há muita gente por trás a apoiar para que as coisas de educação aconteçam". É assim que, "apesar de tudo, temos conseguido concretizar a Escola a Tempo Inteiro".
Uma concretização do programa - que teve início este ano lectivo - que passa pela definição, por parte do Ministério da Educação, das "condições de apoio para concretizar um projecto de consolidação do ensino básico", em parceria com as autarquias. O objectivo desta orientação, garante Maria de Lurdes Rodrigues - e que retomou assim um tema "quente" quando considerou que a cultura profissional dos docentes não está orientada para o sucesso dos alunos -, é ter em vista "sobretudo os resultados escolares".
in DN