quarta-feira, junho 14, 2006

Será que ainda existem convicções?

Hoje é dia de greve nacional dos professores, a terceira desde que este Governo tomou posse. Convocada pela Fenprof, a jornada de protesto inclui mais duas acções durante a tarde: um plenário nacional, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, seguido de uma manifestação junto ao Ministério da Educação.
"Os professores estão revoltados, quer com as declarações políticas, que só servem para os desvalorizar e desmotivar, quer com a proposta política de estatuto da carreira docente, que dinamita completamente a anterior", explicou ontem Paulo Sucena, durante uma conferência de imprensa, em Coimbra, em que desvalorizou o facto de a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação não aderir à greve.
No centro da discórdia estão as propostas apresentadas pela tutela para a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), que a Fenprof considera inaceitáveis. A paralisação recebeu, entretanto, o apoio de outras estruturas sindicais. Apesar de ter decidido não entregar qualquer pré-aviso de greve, também a Federação Nacional do Ensino e Investigação apelou aos seus associados para participarem na manifestação.
Mas há quem tenha optado por formas de protesto diferentes: os professores da Escola Secundária de Macedo de Cavaleiros decidiram assinalar a jornada com uma sátira à proposta do ministério de avaliação dos docentes por parte dos pais. Em vez de fazer greve, os professores vão envergar t-shirts pretas onde, à frente, se lê "Sorria" e, na parte de trás, se explica "Está a ser avaliado". Na Escola Secundária de Eça de Queirós (Olivais, Lisboa), os professores fazem greve mas vão estar presentes no local de trabalho.
As propostas de alteração ao ECD foram apresentadas pela ministra no final de Maio. Maria de Lurdes Rodrigues anunciou então que pretendia que os pais e encarregados de educação tivessem uma participação na avaliação dos professores dos filhos. Uma participação "minimalista mas consequente", explicou em entrevista ao PÚBLICO e Rádio Renascença dias depois.
Se os ânimos ficaram exaltados com a apresentação da proposta, as declarações proferidas pela ministra da Educação, na Maia, alguns dias depois - disse que o trabalho das escolas "não se encontra ao serviço dos resultados e das aprendizagens" - funcionaram como a gota de água: a Fenprof pediu de imediato a sua demissão e convocou a greve nacional de hoje.
As propostas do ministério passam por uma entrada mais selectiva na profissão (através de um exame nacional), para além de um estágio acompanhado por um professor supervisor.
A imposição de quotas para progressão na carreira é outro dos pontos polémicos. Os sindicatos acusam o ministério de não querer promover o mérito na avaliação dos professores, mas apenas impor barreiras à sua progressão profissional por razões economicistas, determinando que, por exemplo, apenas um terço dos docentes do quadro possa aceder à categoria de professor titular.
in PÚBLICO

5 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Para que tomem de uma vez por todas consciência de que classe profissional estão a falar, fiquem sabendo que hoje por esse país fora houve muitos porfessores que deram aulas (como eu), participaram nas actividades do Secretariado de Exames (como eu), atenderam (como eu) enc. de educação e lançaram faltas dos seus alunos (como eu). Simplesmente não registei a minha presença/actividade em lado nenhum, pois quero ser solidário com todos os colegas que querem salvar a Escola Pública, impedindo que caia nas políticas laxistas do falso sucesso dos alunos e na desmotivação dos bons profissionais, descredibilizando-a cada vez mais.

quarta-feira, junho 14, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Desde o fim de Maio que a revisão do ECD é pano para mangas na Comunicação Social. Não fosse o Mundial, então, nem se falava noutra coisa. Em todas as profissões, há bons e maus profissionais. Não estou nada preocupada com os “colegas” que se queixam de que agora não vão poder acumular no privado, de que não vão dar as quarenta horas de explicação semanais que até agora davam, de que já não podem ir às compras e parar para um lanchezinho ao final da tarde. Esta ínfima minoria, que à força toda querem que seja o rosto da classe, não representa o corpo docente que educa, acarinha, protege, auxilia e anima as crianças e os jovens portugueses. Importa falar do que realmente preocupa os professores. Um novo sistema de avaliação? Uma revisão do Estatuto? Claro que não! Todos os profissionais dignos desse nome não só os aceitam como os têm vindo a exigir há anos. O que é inadmissível é que a proposta ministerial seja puramente economicista, desprovida de justiça profissional e social.

quarta-feira, junho 14, 2006  
Anonymous Teresa Ramalho said...

Apesar de se opontar como causa de greve as alterações propostas pelo governo ao ECD, penso que essas alterações só vieram fazer transbordar um vaso que já estava muito cheio. Os problemas são tantos que bastava um pinguinho mais e o caldo teria que se entornar. Foi o que aconteceu.Os problemas que o sistema educativo padece, estão identificados e parece-me que aí há unanimidade. Que é preciso alterar, também todos têm essa consciência. Que o ECD tem que ser adaptado à nova realidade também me parece que todos concordam. Mas a FORMA como tudo é tratado é que está errada. Um dos grandes problemas é o abandono precoce. Todos sabem. Como combatê-lo? Certamente que quem tem culpa dos alunos deixarem a escola, são os pais! Têm que ser responsabilizados pela educação dos filhos! Agora virem dizer que é responsabilidade dos profs. só tem um efeito: criar sentimento de revolta dos que se sentem injustiçados. Este é um exemplo do que tem sido feito para «arrasar» com o profissionalismo dos professores.

quarta-feira, junho 14, 2006  
Anonymous Carlos Rodrigues said...

O que se devia fazer era nenhum professor dar as avaliaçãoes dos períodos e não fazer os exames. Íamos para a escola, também, nas férias, já que faríamos o descrito na frase anterior, e quando o governo cedesse aí sim darímaos as avaliações e faríamos os exames. Mas tinham que ser todos os professores a fazer isto!!!. Mas como alguns só pensam em lixar os colegas é isto que temos. Já sabiam que a ministra e alguns secretários de estado são incompetentes? É que muitos dos alunos deles provavelmente são agora professores. Ora se eles lhes deram formação e ainda vão ter que fazer provas para acesso à profissão acho que os profs da Universidade deviam fazer provas de 3 em 3 anos já que são eles que nos formam. Enfim alguns cidadão a ganhar rendimentos garantidos e a tirarem algum por fora, outros com boas casas e a declararem todos os anos salário mínimo, outros entram nas câmaras e nos ministérios (função pública)por compadrio e quer fazer o mesmo na nossa profissão.

quarta-feira, junho 14, 2006  
Anonymous Miguel said...

Eu hoje faço greve, mas vou para a escola (e tenho de fazer mais de 100km para lá chegar). Mas por mim, a melhor forma de luta seria não realizar as avaliações enquanto o ministério não negociasse. Têm a maioria (infelizmente também como meu voto - mas daqui a dois anos corrijo), mas vivemos numa democracia e não podem fazer tudo o que lhes apetece. NÃO HÁ NEGOCIAÇÃO, NÃO HÁ NOTAS. Não é leal? O que o ministério está a fazer, também não é leal. Com os EE a fazer barulho por não saberem as avaliações dos educandos, o ministério perdia a arrogância e ficava mais humilde. Ao menos admitam que por trás destas medidas, estão pura e simplesmente razões economicistas. Senão, não era assim tão difícil melhorar o aproveitamento. Bastava reduzir o nº de alunos por turma (o que também ia reduzir o desemprego entre os docentes), dar mais condições físicas e materiais às escolas e em relação à indisciplina...responsabilizar os EE (multas; cortes nos "abonos"; etc...). Ah, pois...assim custa...

quarta-feira, junho 14, 2006  

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