terça-feira, julho 18, 2006

Dor de cabeça!


A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou hoje que irá ao Parlamento na quinta-feira dar explicações sobre a forma como decorreram os exames no ensino secundário, mas recusou a possibilidade de todos os exames serem repetidos.
As afirmações de Maria de Lurdes Rodrigues foram feitas depois de ter participado na cerimónia dos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, na qual participaram, entre outras personalidades, o Presidente da República, Cavaco Silva, e o primeiro-ministro, José Sócrates.
"Está fora de causa repetir todos os exames", afirmou a ministra, que apelou à calma e serenidade "porque os exames estão ainda a decorrer". "É importante que haja tranquilidade para os alunos porque as provas são muito exigentes", disse.
A ministra da Educação garantiu ainda que haverá "ponderação política" apenas em dois programas [Química e Física] e que, nesse caso, haverá repetição de provas.
"É importante que o país discuta os exames, mas não no sentido de os colocar em causa", afirmou a ministra, que vai quinta-feira ao Parlamento participar num debate de urgência, pedido pelo PSD.
As associações de pais contestam os critérios de avaliação e alegam erros na elaboração dos exames nacionais do 12º anos e por isso exigem que os alunos tenham a oportunidade de repetir a prova na segunda chamada, mantendo a possibilidade de se candidatarem na primeira fase à universidade.
in PÚBLICO
O silêncio da actual ministra da educação em relação a esta questão dos exames evidencia a sua dificuldade em lidar com as questões que se ligam directamente com a Educação! O problema da repetição dos exames não é uma questão de gestão de recursos humanos, não é uma questão de chicote, não é uma questão de apontar responsabilidades a terceiros!
O que a questão dos exames mostra é que o Ministério continua como sempre esteve, desligado das escolas, dos professores, dos alunos e do quotidiano da sala de aula! O que a questão dos exames mostra é que o Ministério elaborou provas de exame sem ouvir as peças fundamentais no processo educativo! O que a questão dos exames mostra é que ao Ministério interessa pouco esse mesmo processo educativo e muito os resultados obtidos e sobretudo mostráveis em Bruxelas!
A questão da repetição ou não dos exames é apenas a parte visível de todo um processo muito mal dirigido desde o princípio em que com total autoritarismo e incompetência se elaboraram provas com base em programas acabados de entrar nas salas de aula! Era obrigatório ouvir os professores e disso esta ministra da educação não gosta! Este é só o primeiro resultado dessa política!