segunda-feira, julho 17, 2006

Privado perde 14 mil alunos em dois anos!

O Ensino Superior privado em Portugal - universitário e politécnico (excluindo a Universidade Católica) - tem actualmente (ano lectivo 2005/06) 81.798 alunos inscritos, menos 6344 do que em 2004/05 (quebra de 7,2%). Quando a comparação é feita com o ano lectivo de 2003/04, a perda de discentes atinge os 14.070 (quebra de 15%), de acordo com os dados oficiais do Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES).
Os dados da versão preliminar do relatório da OCDE sobre o ensino superior em Portugal são totalmente consentâneos com esta perda significativa no sector privado, tanto mais que a fonte é precisamente o OCES. Por exemplo, a OCDE refere o número de 98.355 alunos como sendo o total do privado em 2004, incluindo aí mais de 10 mil alunos da Universidade Católica. Retirando aquela instituição da esfera privada, dado que obedece em muitos aspectos ao Direito Concordatário, o total do particular é de 88.140 (2004/05).
"Não há uma pré-catástrofe no ensino superior particular, como alguns dão a entender", afirma João Duarte Redondo, presidente da Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado (APESP). João Duarte Redondo referiu, ao JN, o número de cerca 98.355 como sendo o total do sector em 2004, tal como é referido no relatório da OCDE.
João Duarte Redondo lembra que a quebra no número de alunos é uma tendência que remonta a 1999 e não se resume ao privado. De facto, segundo os dados oficiais do OCES, o superior público (universitário mais politécnico, ficando de fora as instituições militares e, obviamente, a Católica), tem actualmente 273.831 alunos inscritos (170.196 no ramo universitário e a parte restante no politécnico). Em 2003/04, o público tinha uma população estudantil de 280.595, isto é, perdeu 6764 discentes em dois anos. A quebra no privado foi duas vezes maior, sendo que o número de alunos é, actualmente, mais de três vezes superior no público do que no privado.
O Ministério da Ciência e Ensino Superior admitiu, ao JN,vir a cortar no financiamento dos cursos em que os novos alunos do 1.º ano não tivessem sido pelo menos 20, em 2005/06, ou 40 no conjunto dos últimos três anos. Quanto à aprovação de novos cursos no particular, o Ministério lembra que o processo de Bolonha veio alterar a lista de espera de projectos "desactualizados".
Retrato de um mundo privado
Mário de Carvalho, especialista da Fenprof em ensino superior, é um crítico acérrimo da esfera privada das universidades e politécnicos, admitindo contudo que há excepções. As razões são as habitualmente apontadas - falta de qualidade do corpo docente, recorrendo muitas vezes aos professores do público, falta de investimento em investigação e poucos cursos nas ciências e tecnologias. João Duarte Redondo, presidente da APESP, lembra que há muitos cursos naquelas áreas que aguardam aprovação. Por outro lado e a título de exemplo, o Estado não se coibiu de abrir vários cursos de Direito numa altura em que essa área científica já dava sinais de sobre-oferta no sector privado. Segundo a APESP, essa actuação contraria a própria Lei de Bases.
Universo público ao pormenor
João Duarte Redondo, presidente da APESP (associação que representa o sector privado do ensino superior) acusa os Governos de facilitarem a abertura de cursos no sector estatal, assumindo postura inversa em relação aos estabelecimentos de ensino particulares.
No entanto, a verdade é que o sector público, responsável por 273.831 alunos (universidades e politécnicos) num universo de 367.421 discentes (público, privado, Católica, escolas militares e da Polícia), tem contribuído muito para a lançar no mercado muitos formados com licenciaturas, mestrados e doutoramentos. A OCDE continua a dizer que Portugal precisa de formar ainda mais. No público ou no privado?
in JN

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Lá vai o Governo fechar vagas no Ensino Superior Público para ajudar os amigos do privado a manter as portas abertas!

segunda-feira, julho 17, 2006  

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