quinta-feira, julho 20, 2006

Relatório do júri de exames de 2005 errado na Internet desde Novembro!

O relatório final do júri nacional de exames (JNE) sobre as provas do secundário realizadas em 2005 disponível na Internet desde Novembro do ano passado contém médias erradas e colunas com títulos trocados. O problema nunca tinha sido detectado e só ontem, confrontado o júri pelo PÚBLICO a partir de dúvidas suscitadas por dois professores, a situação foi percebida.
Desde então, todas as pessoas que fizeram análises comparativas ao longo do tempo poderão ter trabalhado com médias que, pelo menos em relação a 2005, não correspondem à realidade.
No dia em que foram divulgados os resultados dos exames do secundário deste ano, dois professores de Esposende foram comparar as médias nacionais difundidas pela comunicação social com as notas de 2005, constantes do referido relatório do JNE.
No caso da Química, diz o documento que a média da 1.ª fase tinha sido de 9,6 valores. Isto, quando os dados tornados públicos este ano referiam uma classificação de 10,9 valores.
A Física, por exemplo, os professores do ensino secundário Ana Paula Correia e José Ribeiro não conseguiam entender por que razão a tutela dizia que a descida tinha sido assim tão significativa. Sabiam que a média de 2006 se tinha ficado pelos 7,7 valores e, quando iam comparar com os dados da página oficial do JNE, encontravam, não os 9,9 valores publicados nos jornais, mas 8,3 - o que representaria então uma descida pouco significativa.
Numa outra página do relatório, é a designação das colunas que está errada. Onde se lê a classificação dos alunos externos e autopropostos, deveria ler-se médias totais (externos e internos), admitiu a presidente do JNE, Elvira Florindo, garantindo que as rectificações se farão já hoje.
Perante estes desfasamentos, foram sendo admitidas várias versões, até se concluir que os erros estavam no relatório de 2005.
Também ontem arrancou a 2.ª fase dos exames nacionais do secundário, com várias provas agendadas, entre as quais à disciplina que mais polémica causou na 1.ª fase - Química. Entre os alunos ouvidos pelos PÚBLICO, a opinião era unânime: o teste de ontem era bem mais fácil.
"Parece que foi feito de propósito para fazer melhorar as notas", comentava Liliana à saída da prova, na Secundária Padre António Vieira, em Lisboa.
Entre os 20 mil que fizeram o teste, uns repetiam a prova, tentando uma melhor nota para se apresentarem ainda à 1ª fase do concurso de acesso ao superior, aproveitando a excepção aberta pelo ministério.
Outros, como Vera, queixavam-se de não terem a mesma oportunidade. Aluna do programa antigo, tentou ontem subir a média, mas terá de candidatar-se mais tarde. "Se vamos todos concorrer aos mesmos cursos, não faz sentido a diferença."
in PÚBLICO