segunda-feira, agosto 07, 2006

Oito em cada dez alunos com insucesso escolar têm dificuldade em seguir raciocínio de professores!

Oito em cada dez alunos que registam insucesso escolar dizem ter dificuldades em seguir os raciocínios e os métodos de ensino dos professores, apesar da grande maioria daqueles estudantes apresentar níveis normais de capacidade de aprendizagem.
Segundo os estudos elaborados pelo Instituto da Inteligência, entre Maio de 2004 e Maio deste ano, 70 por cento dos 400 alunos inquiridos preferem apostar na memorização, tendo em vista os testes de avaliação, alegando que não têm tempo para raciocinar sobre as novas aprendizagens.
"Os testes escolares acabam por avaliar aquilo que os alunos foram capazes de memorizar para as provas e não o que, na verdade, conseguiram aprender", concluiu o Instituto da Inteligência.
Sujeitos a provas de avaliação neuropsicológica e de desempenho cognitivo (percepção, atenção, memória e destreza mental), 77,3 por cento dos 400 alunos inquiridos apresentaram capacidades de aprendizagem normais, 12,1 por cento acima da média e 10,6 por cento dos estudantes apresentaram aprendizagem abaixo do normal.
Para Nelson Lima, neuropsicólogo e investigador do Instituto da Inteligência, "o insucesso escolar entre o 1º e o 3º ciclos nem sempre está relacionado com a capacidade de aprendizagem dos alunos, mas sim com os métodos de ensino".
Assim, 89 por cento dos alunos, entre os oito e os 14 anos de idade, com dificuldades de aprendizagem dizem-se "completamente perdidos" no que toca a métodos de aprendizagem, pois "ninguém lhes ensina nada".
Por sua vez, os professores (82 por cento de uma amostra de 250) afirmam não "ter tempo" ou não estar preparados para ensinar métodos de estudo aos alunos.
"Precisamos urgentemente de uma escola menos dogmática"
"Precisamos urgentemente de uma escola menos dogmática e burocrática e de um ensino mais compatível com o cérebro, de forma a incentivar o pensamento criativo e a inteligência dos alunos, em vez de se satisfazer com aprendizagens apressadas e fragmentadas, feitas à custa da capacidade de memorização dos alunos", concluiu o instituto.
Instados a esclarecerem melhor o problema da compreensão das matérias, os alunos apontaram, entre outras, "dificuldades na descodificação do discurso dos professores" (94 por cento), a "ausência de métodos de estudo" (98 por cento) e a "dificuldade em gerirem os tempos de estudo necessários a cada disciplina" (57 por cento).
"A dificuldade de descodificação não resulta apenas de défices linguísticos ou de falta de atenção dos alunos. Surge mais como uma deficiência dos métodos de ensino, que resultam de um modelo educativo que não é compatível com o processamento de informação do cérebro da grande maioria dos alunos", afirma também o mesmo investigador.
Ainda de acordo com Nelson Lima, o insucesso escolar é um problema que está "para continuar" e que terá tendência para se agravar, já que não se vislumbram medidas de fundo que resolvam os verdadeiros problemas do sistema de ensino.
in PÚBLICO