quinta-feira, agosto 10, 2006

Psicólogos negoceiam com Ministério da Educação habilitação para a docência!

O Sindicato Nacional dos Psicólogos (SNP) vai negociar, em Setembro, com o Ministério da Educação o reconhecimento da habilitação para a docência aos licenciados em Psicologia, actualmente impedidos de leccionar aquela disciplina no ensino secundário.
De acordo com Manuela Castelbranco, presidente do SNP, o gabinete de Maria de Lurdes Rodrigues agendou hoje para 19 de Setembro uma reunião sobre o tema, depois dos vários pedidos de audiência efectuados desde Maio de 2005, sem qualquer resposta por parte da tutela.
Até agora, a disciplina de Psicologia do 12º ano, cujo exame nacional constitui prova de ingresso para vários cursos do ensino superior, é leccionada por profissionais de outras áreas, nomeadamente por licenciados em Filosofia, uma vez que o Ministério da Educação (ME) ainda não reconheceu aos psicólogos a necessária habilitação para a docência.
"O SNP, ao longo dos últimos anos, tem reivindicado este direito junto do ME dos sucessivos governos, considerando que os alunos têm por direito serem formados por profissionais habilitados com competência na área", afirma o SNP em comunicado hoje divulgado, acrescentando que "os licenciados em Psicologia têm o direito de poder leccionar a disciplina".
Segundo o sindicato, algumas escolas privadas contrataram psicólogos para leccionar a disciplina no ano lectivo que terminou em Junho, mas no final do primeiro período de aulas "foram obrigadas por despacho do ME a substituir esses professores por docentes com formação noutras áreas".
"Ao longo dos anos, o Ministério da Educação foi apresentando diversos pretextos para que a licenciatura em Psicologia não fosse reconhecida para a docência, nomeadamente o número de alunos reduzido, o facto de as faculdades não solicitarem o seu reconhecimento e a existência de muitos professores de outras áreas para colocar", acusa o SNP.
Os argumentos da tutela são, no entanto, rebatidos pela estrutura sindical, que invoca os mais de 47.000 alunos que se inscreveram para o exame nacional da disciplina, o terceiro com mais matrículas entre os 58 realizados na primeira fase, só ultrapassado pelas cadeiras de Português e Matemática.
"Apesar de o número de alunos que escolhem a disciplina de Psicologia ter aumentado significativamente nos últimos anos, a sua representatividade a nível nacional não lhes dá o direito a ter um professor com licenciatura em Psicologia", refere o sindicato, salientando que os diplomados em Filosofia não têm qualquer formação na área.
Contactado pela Lusa, o ME não confirmou até ao momento a reunião agendada para 19 de Setembro. No entanto, mesmo que a tutela reconheça aos psicólogos habilitação para dar aulas, os mesmos só poderão vir a fazê-lo a partir de 2009, já que os resultados do concurso de colocação de professores realizado este ano são válidos até essa data.
in PÚBLICO

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Só um Ministério completamente dominado por pedabobos pode continuar a insistir - 30 anos depois de Portugal ter Faculdades de Psicologia (mais tempo se incluirmos o ISPA pré-25 de Abril) - no absurdo de fechar esse mercado de trabalho aos psicólogos para proteger os licenciados em Filosofia.

Só um Sindicato de Psicólogos 30 anos dominado por professores universitários (que deveriam estar no respectivo sindicato) chega até hoje sem conseguir acabar com a mais absurda situação do ensino português (psicólogo não é competente para dar psicologia?)., sem sequer ter conseguido para ela 5 minutos de qualquer telejornal (que chegam a ter nascimento de foca como destaque).
Aliás, quando os médicos tentaram dominar o mercado das consultas chamando-lhes "acto médico", o sindicato manteve-se calado e só vi na TV os enfermeiros a reivindicarem as "consultas de enfermagem" e o Choi as "consultas de medicinas alternativas".
Que o lóbi da Filosofia seja mais forte que o da Psicologia num país da União Europeia, no século XXI, será caso de estudo para a Antropologia ou para a Psicopatologia Social?

Que o ministério invoque o facto de as faculdades de psicologia não solicitarem o reconhecimento da competência dos seus formandos, a ser verdade, deveria levar muitos psi-professores a pintarem a cara de negro e muitos psi-desempregados a exigirem-lhes acto de contrição.

Só uma classe profissional sem brio, sem a mínima coesão, dividida em capelinhas ridículas cada qual com os seus barões e baronetes, permitiu que este estado de coisas se eternizasse por 30 anos.

Alberto Magalhães
Psicólogo no DPSM do HESE
Évora

terça-feira, setembro 12, 2006  

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