sexta-feira, setembro 01, 2006

Número de reprovações no 9º ano subiu quase 20 por cento no ano passado!

As taxas de reprovação no 9º ano de escolaridade dispararam no ano passado devido à introdução dos exames nacionais de Português e de Matemática, uma situação que a ministra da Educação diz resultar da "insuficiente qualidade das aprendizagens".
Em 2005 - primeiro ano das provas de Português e de Matemática no 9º ano - as reprovações subiram para 19,9 por cento, "o pior resultado em mais de uma década", de acordo com a edição de hoje do "Diário de Notícias".Ainda não são conhecidos os resultados das provas de 2006, mas o Ministério da Educação (ME) admite que os números deste ano "ainda serão piores".
"A nossa convicção é de que esse valor suba um pouco ainda, dada a taxa de ponderação [peso dos exames na nota] ter aumentado para 30 por cento. Mas o objectivo é que a partir daí comece a recuperação", afirmou ao DN o adjunto da ministra da Educação, Ramos André.Para o ME, os números de 2005 foram úteis para expor a realidade das escolas.
"Os números resultam dos exames, mas o problema já existia. Isto confirma que a avaliação externa tem o mérito de pôr em evidência, de uma forma objectiva, que as aprendizagens no 9º ano são insuficientes", afirma Ramos André.Fenprof alerta para perigos e injustiçasAdriano Teixeira de Sousa, da Fenprof, alerta para "o perigo" e "a injustiça" que podem decorrer de se "basear as avaliações e as estratégias educativas" nos desempenhos das provas.
"Pode ser injusto, sobretudo com estudantes de 13 e 14 anos, estar a avaliar toda a aprendizagem feita com base num teste que dura hora e meia. Há factores como a carga emotiva, que podem pesar", disse o responsável em declarações ao DN.
Num artigo de opinião publicado hoje no mesmo jornal, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirma que a elevada taxa de insucesso escolar exprime "a desproporção entre recursos e resultados que caracteriza o sistema educativo e que é imperioso corrigir no curto prazo".
"Os exames só tiveram esse resultado porque a qualidade das aprendizagens é insuficiente. Deste facto devem ser retiradas todas as consequências para a melhoria das condições de ensino e aprendizagem, sob pena de os exames continuarem a ser meros instrumentos de selecção e seriação de alunos", escreve a ministra.
Para Maria de Lurdes Rodrigues, "é uma ilusão pensar que a melhoria dos resultados escolares possa depender automaticamente da introdução de exames ou da acção centralizadora do ministério: ela passa, no essencial, por mudanças nas nossas escolas".
A ministra da Educação defende assim uma acção reformadora que reforce as escolas em quatro planos: autonomia e capacidade de gestão na base de uma avaliação exigente do seu desempenho; qualificação, competência e exigência na selecção, recrutamento e avaliação dos professores; modernização das escolas e dos recursos educativos, no quadro de um novo ciclo de fundos comunitários; e abertura total das escolas, aprofundando a sua inserção na comunidade local.
in PÚBLICO