sexta-feira, outubro 27, 2006

Professores acusam tutela de transformar negociações do estatuto numa "autêntica farsa"

Os sindicatos de professores acusaram hoje o Ministério da Educação de transformar o processo negocial relativo à revisão do estatuto da carreira numa "autêntica farsa", ao ignorar os contributos das organizações e manter os principais aspectos da discórdia.
"O Ministério da Educação não teve em conta, no essencial, nenhum dos debates realizados ao longo do designado processo negocial, que hoje, confirma-se, não passou de uma autêntica farsa", acusa em comunicado a plataforma reivindicativa, constituída por 14 sindicatos.
Em causa está a última versão de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, entregue hoje pela tutela aos sindicatos, na qual se mantêm os aspectos mais contestados pelos professores, nomeadamente a introdução de quotas para progressão na carreira e a sua divisão em duas categorias (professor e professor titular), que as organizações consideram ter como objectivo "impedir a chegada da esmagadora maioria dos docentes ao topo" da profissão.
No comunicado, a plataforma critica ainda as declarações proferidas ontem à noite pelo primeiro-ministro, José Sócrates, que se congratulou com um alegado consenso alcançado entre os sindicatos e o Ministério da Educação, afirmando que as estruturas sindicais tinham finalmente aceite a introdução da avaliação de desempenho na carreira dos professores.
Os sindicatos reiteram que sempre concordaram com a avaliação de desempenho, contestando apenas os critérios propostos pelo ministério, embora se tenham disponibilizado ontem para aceitar as últimas alterações introduzidas pela tutela na avaliação, desde que esta se comprometesse a abdicar das quotas para progressão na carreira, o que não aconteceu.
"Só por ignorância ou má-fé, o engenheiro José Sócrates poderá ter proferido tais afirmações caluniosas que correspondem a grosseiras mentiras", acusa a plataforma, classificando as declarações do chefe do Governo como "uma tentativa de manipular a opinião pública".
O "reiterado desrespeito" que as organizações sindicais dizem sofrer por parte do Executivo será alvo de um "veemente protesto" na reunião de amanhã entre a plataforma e o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, adianta o documento.
"Para além do protesto, fica a promessa de que a luta dos professores e educadores continuará a corresponder à dimensão do ataque que lhes é feito pelo Governo", acrescentam os sindicatos.
A última ronda negocial relativa à revisão do ECD divide-se entre sexta e terça-feira, com a realização de uma reunião conjunta com os 14 sindicatos e as quatro mesas negociais anteriormente constituídas.
in LUSA

3 Comments:

Anonymous basta ya said...

Os sindicatos barricam-se num tipo de avaliação-faz-de-conta. Para que serve uma avaliação que não tem consequências disciminatórias em relação aos resultados? É o mesmo que dizer aos alunos (em analogia) que as avaliações não servem para nada e que todos vão passar de ano, independentemente dos resultados obtidos. Lindo...

sexta-feira, outubro 27, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Mas não é isso que o Ministério quer? Quando a progressão na carreira dos professores depende dos resultados dos alunos é óbvio que a palavra de ordem é "passam todos"! Estamos a construir uma grande mentira...

sexta-feira, outubro 27, 2006  
Blogger Assobio said...

E não é verdade que, cada vez mais, as avaliações (as dos profs e as dos alunos) fingem que avaliam, mas não avaliam nada?

segunda-feira, outubro 30, 2006  

Enviar um comentário

<< Home