terça-feira, outubro 17, 2006

Professores em greve

Segundo João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), cerca de 85 por cento dos professores e educadores a nível nacional aderiram ao primeiro dia de greve contra a proposta do Ministério da Educação de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
Também segundo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), a greve está a atingir globalmente cerca de 85 por cento de adesão, "com tendência para aumentar" durante o dia, disse à agência Lusa o secretário-geral, Paulo Sucena.
No Norte, a participação no protesto deve ultrapassar os 85 por cento, segundo o Sindicato dos Professores do Norte, enquanto o Ministério da Educação aponta para 32,7 por cento.
De acordo com os sindicatos, várias escolas e jardins-de-infância encer raram, entre as quais alguns estabelecimentos habitualmente com baixas taxas de adesão. Na região Centro, a greve atingiu a participação máxima, com uma adesão a rondar os 90 por cento, de acordo com os sindicatos, sendo "significativamente superior à realizada em 18 de Novembro de 2005, que foi considerada a maior manifestação desde que esta equipa ministerial está em funções".
A Direcção Regional de Educação do Centro disse à Lusa ainda não ter da dos disponíveis, remetendo a sua divulgação para a parte da tarde. Na Grande Lisboa, as organizações sindicais afirmam que o protesto rond a entre os 80 e os 85 por cento, números muito acima dos divulgados pela Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), que aponta para 53 por cento.
De acordo com a DREL, o protesto levou ao encerramento de 23 por cento dos estabelecimentos de ensino nos 51 concelhos abrangidos. Já no Alentejo os sindicatos dizem que a participação foi de 80 por cento, com várias escolas do 1 ciclo fechadas em Évora, Viana do Alentejo e Beja, enquanto a Direcção Regional não dispõe ainda de dados concretos.
Mais a sul, os sindicatos do Algarve apontam para uma participação de professores e educadores acima dos 80 por cento, com as escolas do ensino básico a serem as mais afectadas. Também no Algarve a tutela reserva dados para mais tarde. Nas regiões autónomas, cerca de 60 por cento dos professores madeirense s aderiram à paralisação, o mesmo acontecendo com 50 por cento dos docentes açorianos, segundo os sindicatos, já que o Ministério não avançou ainda números.
A greve nacional foi decretada conjuntamente pelos 14 sindicatos do sector a 05 de Outubro, Dia Mundial do Professor, durante a marcha nacional de protesto, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.
Esta será a segunda paralisação nacional convocada para contestar a proposta do ECD, depois da greve de 14 de Junho, que contou com uma adesão de 70 a 80 por cento, de acordo com a Federação Nacional dos Professores, e inferior a 30 por cento, segundo o gabinete da ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
A divisão da carreira em duas categorias (professor e professor titular ), a imposição de quotas para aceder à mais elevada e o modelo de avaliação de desempenho que inclui critérios como a apreciação dos pais e as taxas de abandono e insucesso escolar dos alunos são alguns dos aspectos mais criticados pelas organizações sindicais.
in LUSA

6 Comments:

Anonymous Afonso Martins said...

Quando vejo o desplante destes indivíduos do governo, que num governo a "sério" não teriam lugar, a desmentir os números reais da adesão à greve, só consigo ficar ainda mais convicto daquilo que fiz hoje e que vou continuar amanhã: GREVE! Eles devem pensar mesmo que estão no país das bananas e que tudo lhes é permitido (quais macacos- estes últimos que me "desculpem")! Eles estão, seriamente, a insultar a nossa inteligência! Por esse motivo, colegas, vamos pensando em greve mais contundente: GREVE ÀS AVALIAÇÕES!!

quinta-feira, outubro 19, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Recordo bem os tempos da revolução e os anos que se seguiram, felizmente. Por essa altura regressei a Portugal, vindo de um outro país e, pelo que me foi dado constatar quando cá cheguei, tive de concluir que os Portugueses, afinal, transportaram durante muitos e longos anos a pobreza numa mão e os "Lusíadas" na outra. Lembro a idiossincrasia reinante e os valores propagados no período pós 25 de Abril. Agora, volvidos trinta e dois anos, para que os homens não se esqueçam, não duvido que o primeiro-ministro e a sua equipa, se governassem na altura como governam agora, seriam apelidados de facistas e reaccionários. Provavelmente teriam até de partir para o exílio! Mais uma vez o poeta tem razão: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades."

quinta-feira, outubro 19, 2006  
Anonymous José Carlos Callixto said...

Estou em greve, seria impossível não estar, perante o fundamentalismo e o autismo de um governo apoiado na propaganda. A propaganda também foi o apanágio de um outro senhor, há mais de 60 anos, à frente de um outro partido que curiosamente também se apelidava de "socialista"... Mas, colegas, mentalizem-se: ESTA GREVE NÃO CHEGA! Os sindicatos lá a desligaram (finalmente) dos fins-de-semana e feriados, mas enquanto continuarmos a comprar do nosso bolso o material necessário à nossa profissão (esferográficas, acetatos, papel), enquanto continuarmos a oferecer dias de férias para garantir a abertura do ano lectivo seguinte, enquanto não provarmos por zelo que as escolas não comportam metade sequer do funcionamento que a Sr.ª Ministra e seus lacaios querem atirar para os olhos da opinião pública ... pouco adiantaremos.

quinta-feira, outubro 19, 2006  
Anonymous Luiz Pacheco said...

Face ao que se tem passado na educação, e no que diz respeito aos professores, poderemos concluir que o ME, dos socialistas, é um ME de extrema direita que pretende calar a voz da consciência. Não chegam aos calcanhares de Salazar! Esse, que era um ditador provinciano e sempre se assumiu como um ditador às claras, sempre respeitou a classe docente. Volta SALAZAR! Estás perdoado!! Envia estes ditadores de pacotilha - Sócrates frustrado e ministra da educação iletrada para um Tarrafal ideal!

quinta-feira, outubro 19, 2006  
Anonymous ana moreira said...

Que triste é o país que roouba a dignidade dos seus professores. E logo por quem! Por um trio de incompetentes, autistas e políticos medíocres. SE O NÃO FOSSEM, CERTAMENTE SABERIAM QUE OS PROFESSORES NÃO DEVEM SER VISTOS COMO PARTE DO PROBLEMA, MAS COMO PARTE DA SOLUÇÃO. Será que o trio maravilha (ME e Sec De Estado) ainda não sabem isso???? Ou pensam que é com a CONFAP e seus dirigentes que vão tornar a educação melhor!? Poupem-me! Uns e outros percebem tanto de educação como eu de pilotar naves espaciais... OS PROFESSORES ESTÃO EM LUTA E RESPONDEM-LHES À LETRA. Mesmo assim, a ME diz que não entende por que os professores ESTÃO A FAZER GREVE?

quinta-feira, outubro 19, 2006  
Anonymous josé ferreira said...

Há muito que não fazia greve. Desta vez faço durante os dois dias. Já basta de sermos humilhados, vilipendiados e injustiçados por esta gentalha que nos (des)governa a cada dia que passa. Aparecem sempre com um ar superior e irónico como se fossem donos de toda a razão e de que toda a gente se deve prostar a seus pés. Salazar nunca foi tão longe. No seu tempo o sistema político não era democráticO mas todos o sabiam; hoje o sistema diz-se democrático mas o executivo acha que pode dizer, fazer e maltratar quem quer. AFINAL PARA QUE QUEREMOS A DEMOCRACIA? PARA PAGAR MAIS IMPOSTOS, PARA QUE NOS ESTRAGUEM O NÍVEL DE VIDA, A CARREIRA E ALGUNS DIREITOS QUE, A CUSTO, CONSEGUIMOS AO LONGO DO TEMPO? E DO OUTRO LADO O QUE SE VÊ? INDIFERENÇA, FALTA DE CULTURA CÍVICA E DEMOCRÁTICA E A MANUTENÇÃO DE TODOS OS BENEFÍCIOS E REGALIAS... e muitas outras coisas que não chegam ao nosso conhecimento. VIVAM OS PROFESSORES! ABAIXO COM A RELES CLASSE POLÍTICA, IGNORANTE E INEFICAZ NA CONDUÇÃO DESTE PAÍS.

quinta-feira, outubro 19, 2006  

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