sexta-feira, outubro 27, 2006

Sindicatos satisfeitos com mestrado obrigatório para novos professores

Os sindicatos do sector da educação mostraram-se hoje satisfeitos com a proposta do Governo que obriga os candidatos a professores a terem um mestrado de acordo com as novas regras do Processo de Bolonha.
"Para melhorar a qualidade do ensino há a necessidade efectiva de tornar os cursos em mestrados à luz de Bolonha", disse à Lusa Carlos Chagas, da Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei).
Em declarações à Rádio Renascença, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse que o Ministério vai alterar as regras para a habilitação à docência, obrigando os novos professores a ter de tirar o mestrado segundo as regras de Bolonha, como adianta a edição de hoje do PÚBLICO.
Até à introdução de Bolonha, um mestrado durava dois anos e seguia-se a uma licenciatura de quatro ou cinco anos. Com Bolonha, o total das duas formações passa a ser de cinco anos.
Para a Fenei, uma correcta e melhor estruturação científica e pedagógica dos cursos "não era possível sem os cinco anos de formação". "O Governo agiu bem e em função do que se passa noutros países, como Itália, que uniformizou a formação dos professores", afirmou Carlos Chagas.
No entanto, o sindicalista apelou à realização de "um debate profundo" sobre os currículos que serão feitos para estes cursos.Também a Fenprof (Federação Nacional de Professores) concorda com a proposta, adiantando mesmo que esta era uma exigência que já tinha sido feita pelos sindicalistas.
Paulo Sucena, secretário-geral da Fenprof, alertou para a necessidade de "ver esse mestrado com olhos de Bolonha". "O mestrado à luz do processo de Bolonha não tem o mesmo significado do que os mestrados como se realizam em Portugal nas últimas dezenas de anos, entendidos como uma formação pós-licenciatura", comentou.
"A licenciatura passa para três anos que considerámos insuficientes e tínhamos por objectivo não diminuir a qualidade pedagógica e científica dos professores, pelo que consideramos necessário que essa licenciatura seja complementada por um mestrado", disse à Lusa.
in LUSA