quinta-feira, outubro 05, 2006

Vinte mil professores desfilaram contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente


Vinte mil professores, segundo a polícia, 25 mil, com base em números avançados pelos sindicatos, desfilaram hoje em Lisboa contra a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
À proposta do Ministério da Educação, os docentes responderam com a convocação de uma greve nacional nos próximos dias 17 e 18 e com "a maior manifestação de sempre de professores de que há memória".
A frase é de Paulo Sucena, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof) e porta-voz da plataforma que integra outras 13 organizações sindicais, para quem a adesão à manifestação de hoje é prova de que a ministra da Educação "está cada vez mais sozinha".
"Estamos aqui a dizer ao Governo que ninguém passa por cima da dignidade dos professores e educadores portugueses. Não vamos permitir que esta unidade seja quebrada", reforçou o sindicalista, entre os professores que desfilaram pela Avenida da Liberdade, até ao Rossio, onde definiram uma moção, na qual consideram "inaceitável" a proposta de revisão do Estatuto apresentada pelo Ministério da Educação, considerando que "visa destruir o actual estatuto", além de "ferir direitos constitucionais".
"Os professores e educadores consideram condenável a atitude de extrema inflexibilidade do ministério no que respeita à negociação de questões fundamentais e decisivas para o futuro da profissão docente, como a estrutura da carreira, o direito de acesso ao topo, a contagem integral do tempo de serviço e a avaliação de desempenho, entre outras", lê-se no documento.
Mário Nogueira, dirigente da Fenprof e representante de uma das quatro mesas negociais que discutem o diploma com a tutela, sustenta que "a inflexibilidade ministerial foi absoluta nas questões essenciais para os professores e são mantidos os aspectos mais negativos".
Já o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), João Dias da Silva, destacou os primeiros sinais de "nervosismo" da equipa liderada por Maria de Lurdes Rodrigues, no que respeita ao calendário negocial, que os sindicatos dizem ter sido "fixado unilateralmente”.
"A primeira cedência aconteceu ontem, quando o ministério decidiu marcar uma reunião extraordinária, no dia 12, novamente com todos os sindicatos. Só por isso, esta marcha já valeu a pena", afirmou o dirigente sindical.
As próximas rondas negociais estão previstas para 17 e 18 de Outubro, coincidindo com as datas da greve hoje anunciada, mas ontem, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, que lidera as negociações, acedeu à marcação de uma reunião extraordinária para a próxima quinta-feira.
Este foi o quarto grande protesto de docentes que a Ministra da Educação enfrentou desde que tomou posse e o segundo deste ano, depois da manifestação nacional realizada a 14 de Junho, junto ao Ministério da Educação, na qual cerca de sete mil professores pediram a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues.
in PÚBLICO