terça-feira, novembro 07, 2006

A grande mentira


Em entrevista ao Jornal de Negócios, a ministra da Educação recusa que o Estatuto da Carreira Docente esteja deformado por uma lógica de poupança financeira.

Do seu ponto de vista, o novo Estatuto vai remunerar melhor aqueles que assumem maiores responsabilidades, funções de direcção e de gestão. A criação da carreira de professor titular pretende promover o surgir de líderes experientes nas escolas.

O que a ministra não diz é que ao dividir a carreira condicionando a progressão a quotas irá condenar três gerações de professores ao imobilismo e à estagnação profissional e salarial. É que terão acesso à condição de professores titulares aqueles que neste momento têm mais de 20 anos de ensino mas que estão a cerca de outros 15/20 da aposentação. Quando esses ocuparem os lugares de professores titulares ficarão por lá "preenchendo" as quotas disponíveis o que fará com que os restantes professores, por muito bons que sejam, se tenham de contentar com uma carreira sem progressão e consequentemente desmotivadora.
Então as razões desta alteração são economicistas ou não são?
Por outro lado é curioso concluir que serão os professores com mais anos de serviço, protagonistas do ensino em Portugal nas duas últimas décadas e grandes beneficiados pelo estado de coisas até aqui, aqueles que hoje têm os bons horários e as mínimas responsabilidades nas escolas, que irão poder ter acesso inicialmente à condição de professores titulares, ou seja, quem já tem ordenados consideráveis continuará a tê-los, quem entrou recentemente na carreira ou virá a entrar tem pelo menos 20 anos de espera até poder progredir verdadeiramente nessa mesma carreira!
Finalmente, liga-se a condição de professores titulares ao desempenho de actividades de gestão e administração? Então mas um professor não era para dar aulas? É verdade que no actual estado de coisas é complicado de o fazer uma vez que com a descredibilização da carreira de professor estes arriscam-se a apanhar umas "palmadas" dos meninos ou dos seus preparados encarregados de educação sempre que a coisa não correr como os Andrades esperavam, mas daí a passar ser mais importante (hierárquica e salarialmente) um professor desempenhar funções de gestão que leccionar...
Existem questões que se arrastaram até aqui e que teriam de ser revistas mas não sejamos hipócritas. O que se está a fazer é uma autêntica política de terra queimada em que se destroi tudo em nome de uma pseudo moralização e reorganização que tem como principal objectivo poupar uns cobres ao Estado em salários.
A ministra fala em aproximar os ordenados dos professores em início de carreira dos praticados nos escalões mais elevados, à imagem do que se passa na nossa vizinha Espanha por exemplo. A tradução deste discurso é: aumento os vencimentos do início de carreira nuns trocos para os calar mas depois travo-lhes a progressão com as quotas e portanto deixa de haver uma diferença salarial tão grande entre escalões.
Enfim, neste jardim à beira mar plantado ergamos o chapitô com um viva à tal política de mérito, ao rigor, ao futuro da escola pública e blá blá blá blá blá.

1 Comments:

Anonymous sizandro said...

Desde já proponho que os orgãos de gestão dos agrupamentos ponham o lugar à disposição. Acabava-se esta palhaçada toda em 3 dias. A Ministra sabe bem disso, por isso os trata tão bem. Mas com as mudanças que estão a ser feitas , mas aquelas que aí se preparam os Orgãos de Gestão deveriam demitir-se uma vez que as alterações são de monta e criam uma situação diferente daquela que existia quando concorreram ao cargo, por isso, não é este o programa eleitoral nem o Projecto para o qual foram votados.
Eram só 3 dias...
Estes e outros desabafos no meu novo e modesto blog http://escolaescola.blogspot.com/

quinta-feira, novembro 09, 2006  

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