quinta-feira, novembro 02, 2006

Ministra da Educação disponível para negociações suplementares sobre estatuto


A hipocrisia é pretender passar aos outros a falsa ideia do que não é, é a manifestação disfarçada das virtudes que não tem, ou seja, o reflexo instintivo e o pretexto inferior da imperfeição humana.
A ministra da Educação disse estar disponível para uma negociação suplementar com os sindicatos sobre o novo Estatuto da Carreira Docente, garantindo que a tutela "não está em conflito com os sindicatos, nem com os professores".
"Estamos sempre dispostos a negociar", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues, esta tarde, em conferência de imprensa, um dia depois do processo negocial com os sindicatos ter terminado sem acordo quanto ao estatuto.
A ministra lembrou que cabe aos sindicatos pedir a abertura de um período de negociação suplementar e disse esperar que nessa fase sejam apresentadas "propostas concretas, que não colidam" com os “princípios fundamentais” da reforma que o Governo quer aplicar: "a avaliação por mérito" e a "estruturação da carreira em duas categorias" (professor e professor titular).
Reagindo às duras críticas de que tem sido alvo, Maria de Lurdes Rodrigues garantiu que ao longo dos quatro meses de negociações “foram introduzidas melhorias” no estatuto, em resposta às exigências dos sindicatos e às "preocupações dos professores", e admitiu que "há inúmeras matérias onde o estatuto pode ainda melhorar".
"Onde os sindicatos vêem intransigência, nós vemos fidelidade a princípios essenciais para introduzir as mudanças necessárias", afirmou a ministra, garantindo que o “ministério não está em guerra com os sindicatos, nem com os professores”.
"O insucesso e o abandono escolar são os nossos únicos inimigos", afirmou.
Contudo, a ministra sustenta que “Portugal tem que deixar de ser o pior da União Europeia” em matéria de educação e isso só será conseguido se forem resolvidos os “problemas que impediam as escolas de melhorar os seus resultados”.
Na conferência de imprensa, a titular da pasta da Educação disse ainda esperar que algumas declarações proferidas nos últimos dias por responsáveis sindicais, que alertavam para os riscos de uma conflitualidade no sector, não constituam uma "ameaça velada de perturbação nas escolas".
O novo Estatuto da Carreira Docente, que o Ministério quer aplicar a partir de 1 de Janeiro, já motivou duas greves e duas manifestações nacionais, a última das quais a 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, que reuniu em Lisboa mais de 20 mil docentes.
Ontem, após a conclusão das negociações, as principais estruturas sindicais queixaram-se da “intransigência” com que a tutela encarou as negociações, mantendo os pontos mais polémicos da proposta: a introdução de quotas na avaliação dos professores e a divisão da carreira nas categorias de professor e professor titular, limitando o número de docentes que podem aceder a esta última.
Ainda assim, Mário Nogueira, dirigente da Fenprof e porta-voz da plataforma que reúne as 14 estruturas, revelou que os sindicatos estão a ponderar pedir a abertura de período de negociação suplementar.
“Vamos fazê-lo com a convicção de que ainda é possível mudar alguma coisa”, afirmou o dirigente, em declarações ao PÚBLICO, sustentando que até agora “este foi o processo mais anti-negocial”. Se a iniciativa avançar, será a ministra a presidir à ronda única de negociações, substituindo o secretário de Estado Adjunto, Jorge Pedreira.
in LUSA

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Esta senhora goza com os professores, alunos e encarregados de educação deste país. Esconde a sua verdadeira intenção que é destruir a escola pública a favor dos colégios privados e do corporativismo de um governo que ficará na história pelos piores motivos. Depois dela virão outros e outros e outros mas ai já será tarde, a escola já estará transformada num palco de guerras e instabilidade entre professores pela ascensão na carreira. Os que são verdadeiramente professores, sem queda para as politiquices ou "graxismos" entrarão no conformismo de uma carreira travada por quotas incompreensíveis cuja única motivação são motivos economicistas. Vergonha.

quinta-feira, novembro 02, 2006  
Blogger ProfContratado said...

Olá, colega bloguista. O blog "Professores Contratados" vai cessar a sua existência, no entanto, criei um novo espaço: profslusos.blogspot.com. Se pudesse mudar o nome do blog e o link agradecia. Abraço.

quinta-feira, novembro 02, 2006  
Anonymous Anónimo said...

Quando leio comentários sobre o ensino, encontro sempre uma grande antipatia pelo ensino privado. Gostava de perceber o porquê da situação. Estou no ensino privado e só lhe encontro vantagens . Maior rigor ,mais exigência e maior responsabilidade por parte dos alunos. Qual o incoveniente de tudo isto ?
profprivada

quinta-feira, novembro 02, 2006  
Blogger pedro_nunes_no_mundo said...

Pois é, Eduquês, eu já estive muito mais convencido de que o (chamemos-lhe) estilo da Ministra lhe trazia mais benefício que perda.

A senhora continua MUITO na mesma, em feitio, artes e companhias, e a sua popularidade vai por aí abaixo.

Será que os papás e Cª afinal não são uns lorpas que só vêem à frente os professores como os maus? Será que afinal conseguem discernir mais do que o Ministério, que os trata com paternalismo, pensava?

Era bem feito.
É que estamos todos nisto até ao pescoço!

sexta-feira, novembro 03, 2006  
Blogger Miguel said...

A postura da Ministra só vem demonstrar que os dois dias de greve pouco ou nada valeram... Bem, aos cofres do Estado até que valeram uma poupança de 12 milhões de euros...

sábado, novembro 04, 2006  
Blogger pedro_nunes_no_mundo said...

...Isso é um bocado contra-propaganda não é?

Se fosse indiferente a senhora não estava "tão" no rol dos remodeláveis, pois não?

"A ver vamos", como dizia o cego - que por acaso não era professor...

domingo, novembro 05, 2006  
Anonymous Anónimo said...

O discurso do "insucesso escolar" é completamente patético. O que o sistema educativo português não permite é a diferenciação-todos os alunos seguem o mesmo percurso escolar e são avaliados de acordo...não há nenhum sistema educativo em que tal seja feito, claro. Há os alunos que fazem um percurso dito normal e outros que seguem outros percursos.

segunda-feira, novembro 06, 2006  

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