quarta-feira, novembro 15, 2006

Professores iniciam vigília com promessa de novos protestos

Os sindicatos de professores iniciaram hoje uma vigília de dois dias em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, com a promessa de novos protestos, garantindo que a luta contra o estatuto da carreira proposto pela tutela "não vai acabar".
Ao som de bombos e acordeão, meia centena de professores e dirigentes das 14 organizações sindicais que formam a plataforma reivindicativa iniciaram a vigília de protesto, que irá prolongar-se por 49 horas, até às 12h00 de sexta-feira.
"Declaro formalmente aberta esta vigília que tem como objectivo fundamental transmitir um sinal forte de que os 14 sindicatos se mantêm unidos e que os professores estão dispostos a lutar até ao fim. Os professores não baixarão os braços e não sairão derrotados", assegurou Paulo Sucena, secretário-geral da Federação Nacional dos Professores e porta-voz da plataforma.
Contra o Estatuto da Carreira Docente, que afirmam degradar a profissão e a função social dos professores, também Arminda Bragança, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, apelou à união de todos os docentes "para que a luta não acabe"."Como no passado, as nossas lutas vão continuar.
No fim deste processo de não negociação, podemos afirmar com toda a certeza que esta ministra é totalmente incompatível com a qualidade da Educação que tanto apregoa", declarou.
No início de mais uma jornada de protesto, os sindicatos de professores voltaram a acusar a tutela de "intransigência, arrogância e autismo", críticas que marcaram todo o processo negocial em torno da revisão do estatuto da carreira.
"Os professores portugueses estão fartos de ser vilipendiados e têm sido mal tratados como nunca se viu em nenhum país democrático. Nunca houve um Ministério da Educação e um Governo tão medíocres e arrogantes como estes", criticou igualmente Manuel Rolo, dirigente do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades.
A polémica negociação relativa à revisão do Estatuto da Carreira Docente, que teve início em Maio, terminou no final de Outubro sem ter sido alcançado qualquer acordo entre a tutela e os sindicatos, que decidiram, por isso, accionar o mecanismo de negociação suplementar, um processo que arranca amanhã e que poderá prolongar-se por 15 dias.
in PÚBLICO