quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Vinte alunos do secundário concentrados em frente ao Ministério da Educação

Duas dezenas de alunos de escolas secundárias de Lisboa, de Sintra e de Cascais estão desde as 10h30 de hoje concentrados junto ao Ministério da Educação, em Lisboa, em protesto contra os exames nacionais e as aulas de substituição.
Os alunos contestam também a limitação de vagas no ensino superior, a sobrecarga horária e a privatização do ensino e os seus custos. Os estudantes defendem ainda a implementação da disciplina de educação sexual, melhores condições materiais e humanas nas escolas e o fim da nota mínima de 9,5 valores.
A concentração em Lisboa faz parte de uma jornada de luta promovida por várias associações de estudantes, que inclui ainda manifestações no Porto.
Empunhando cartazes com frases como "Queremos falar com a ministra", "Queremos igualdade" ou "Residual = resignado", os alunos gritaram palavras de ordem contra as aulas de substituição.
Uma das participantes, Diana Simões, do 10º ano da Escola Leal da Câmara, em Sintra, explicou à Lusa a fraca adesão de manifestantes com dificuldades de transporte e com o facto de se estar em pleno período de aulas.
Diana Simões adiantou ainda que este protesto foi marcado por várias associações de estudantes para hoje, meio da semana, porque querem "ser levados a sério". "Se fosse numa segunda ou sexta-feira diziam que o protesto servia para fazer um fim-de-semana alargado e nós queremos ser levados a sério. As nossas reivindicações são sérias e importantes", explicou.
A aluna disse que os exames nacionais — um dos pontos essenciais desta jornada de luta — servem apenas de filtro e não afirmam o que os alunos sabem. "Nós acreditamos numa avaliação contínua. Estes exames nacionais são uma barreira para os alunos que pretendem seguir os seus estudos", disse.
No que diz respeito às aulas de substituição, esta aluna de Sintra considera que "são apenas uma forma de o Governo não dotar as escolas de tempos livres"."São aulas dadas por professores que não conhecemos, por vezes que leccionam disciplinas diferentes daquela que vão dar", disse Diana Simões, salientando que "na maior parte das aulas os alunos acabam a conversar ou a jogar cartas ou estar no computador".
Por seu lado, Bruno Madeira, estudante do 12º ano de Humanidades da escola Frei Gonçalo de Azevedo, em Cascais, disse que esta manifestação tem por objectivo "alertar os governantes para os problemas que assolam os alunos do ensino secundário". "Queremos protestar contra os exames nacionais porque achamos que estes quebram o princípio da avaliação contínua", disse Bruno Madeira, salientando que estes exames colocam "em risco" o trabalho que é efectuado em dois ou três anos.
Os estudantes que hoje estão concentrados em frente ao Ministério da Educação defendem também a implementação da educação sexual de forma transversal a todas as disciplinas. Na opinião de Bruno Madeira, as aulas de educação sexual podem ajudar na prevenção quer da gravidez na adolescência quer no que diz respeito às doenças sexualmente transmissíveis."Apesar de nos estarem sempre a dizer que hoje em dia há muita informação, as estatísticas revelam que em Portugal o número de grávidas adolescentes é muito elevado", salientou.
in LUSA