terça-feira, setembro 11, 2007

José Sócrates diz que sistema de ensino está a "ganhar eficiência"


O primeiro-ministro, José Sócrates, considera que o sistema de ensino do país está a “ganhar eficiência” e que, actualmente, “há menos professores e mais alunos, assim como menos desperdício de dinheiro”. Uma das provas do resultado da política educativa do Governo é a subida em dez por cento da taxa de sucesso escolar no ensino secundário.

“Há dez anos havia o dobro do dinheiro, mais professores e menos alunos, o mesmo resultado, o mesmo insucesso escolar, o mesmo abandono escolar”, afirmou o primeiro-ministro, que hoje assistiu à assinatura dos primeiros contratos de autonomia entre o Ministério da Educação e 22 estabelecimentos de ensino.

Admitindo que nos últimos dois anos existem “menos professores”, José Sócrates afirma, por outro lado, que o seu Executivo realizou “um grande combate ao desperdício”. “Não gastámos mais dinheiro, mas aumentámos o número de alunos e melhorámos os resultados escolares”. “A isto chamo obter resultados, com um sistema a ganhar eficiência, a melhorar a sua resposta perante os portugueses”, reforçou.

Essa evolução positiva é exemplificada por José Sócrates com dados relativos ao último ano lectivo. “Em 2006/07 a percentagem de alunos que passaram no 10º e 11º e que concluíram o 12º ano foi muito superior à do ano anterior", sublinhou, sem precisar valores específicos.

De acordo com dados do Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo (GIASE), em 2004/05 a taxa de transição/conclusão no ensino secundário estava nos 66,8 por cento, em recuperação desde o ano lectivo 2001/02, quando se situava nos 59,9. O valor referente a 2005/2006 não foi divulgado, pelo que, tendo como referência o valor de 2004/05, 66,8 por cento, um aumento de dez por cento significa uma subida de 6,7 pontos percentuais, para uma taxa de sucesso escolar na ordem dos 74 por cento.

Durante a assinatura dos primeiros contratos de autonomia entre o Ministério da Educação e 22 escolas, José Sócrates revelou ainda que os dados provisórios indicam um aumento no número de alunos matriculados no próximo ano lectivo superior ao registado no de 2006/07. No ano lectivo passado, de acordo com o recenseamento escolar, estavam matriculados 1.669.470 alunos, mais 21.192 em relação a 2005/06. A educação pré-escolar teve um crescimento de alunos de 1488 para um total de 247.224, o básico de 8440, para 1.084.800 e o secundário de 11.264 para 337.446 estudantes.

O primeiro-ministro salientou ainda a aposta nos cursos profissionais no básico e secundário, para justificar a recuperação de alunos matriculados no sistema de ensino.

Para o ano lectivo que arranca a partir de quarta-feira, os alunos daqueles dois graus de ensino terão à sua disposição mais 1700 cursos de educação e formação, profissionais, tecnológicos e de aprendizagem, para um total de cerca de 5000. Para o ano lectivo 2008/09, José Sócrates anunciou ainda que todas as escolas do primeiro ciclo do ensino básico, a antiga primária, terão de disponibilizar refeições, um serviço que este ano é oferecido por cerca de 70 por cento dos estabelecimentos de ensino. Ainda em relação ao primeiro ciclo e igualmente para o ano lectivo seguinte, será obrigatório o ensino de inglês no 1º ano de escolaridade.

Depois de recordar algumas das medidas desenvolvidas pelo Governo em matéria educativa, como as aulas de substituição, o plano tecnológico, a escola a tempo inteiro e a revisão do Estatuto da Carreira Docente, José Sócrates reservou para o final da sua intervenção um elogio a Maria de Lurdes Rodrigues. "Em meu nome e dos membros do Governo quero aqui dizer o quanto apreciamos o seu trabalho e o da sua equipa à frente do Ministério da Educação", afirmou.

Sindicatos contestam optimismo de Sócrates

O optimismo de José Sócrates foi fortemente atacado pelos sindicados do sector. Em declarações à TSF, Mário Nogueira da Federação Nacional de Professores acusou o primeiro-ministro de fazer “demagogia”, considerando que “os resultados das políticas educativas são impossíveis de poderem ser apreciados do ponto de vista qualitativo no imediato”.

Para o sindicalista, “o que está a ser feito na Educação está a criar piores condições de trabalho nas escolas, maior precarização e a deteriorar a qualidade do ensino”.

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) também apontou falhas nos argumentos do primeiro-ministro. João Dias da Silva, da FNE, realçou à rádio que José Sócrates “fez alguns anúncios de dados que ainda não são públicos”, impedindo que se possa “conferir o que foi apresentado”.

in LUSA
O senhor (engenheiro?) Sócrates conseguiu diminuir o número de professores! Ficamos agora à espera que consiga diminuir a taxa de desemprego do país e que ofereça aos portugueses os tão apregoados novos 150 000 postos de trabalho.