terça-feira, janeiro 29, 2008

Gestão Escolar: deputada Luísa Mesquita diz que Governo receou confronto com a oposição no Parlamento

A deputada Luísa Mesquita acusou hoje o Governo de "recear" o confronto e as críticas da oposição sobre o novo regime de gestão escolar, ao apresentar um projecto de decreto-lei sobre a matéria, impedindo assim a sua discussão na Assembleia da República.

"O Governo, por alguma razão, não apresentou uma proposta de lei, mas sim um decreto-lei, porque naturalmente receia o confronto e as críticas que possam surgir de todas as bancadas, de todas as áreas políticas e de todos os investigadores", criticou Luísa Mesquita.

A ex-parlamentar do PCP, agora "não inscrita", considera que o "desejável" era a discussão na Assembleia da República (AR) de uma proposta de lei. "Isso é que teria sido um acto digno e democrático do Governo".

O novo diploma sobre administração, autonomia e gestão escolar, actualmente em discussão pública, prevê a generalização da figura do Director, escolhido pelo Conselho Geral, novo órgão de direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino que não poderá ser presidido por um docente, o que levantou grande contestação por parte dos sindicatos de professores.

Deputada pede audição pública

Salientando que esta é a mais profunda alteração na gestão escolar desde o 25 de Abril, Luísa Mesquita requereu ao presidente da Comissão de Educação e Ciência do Parlamento a realização de uma audição pública, com a presença de estudiosos e investigadores. A proposta de Luísa Mesquita é hoje apreciada e votada na referida comissão.

"A questão que se coloca neste momento é a ausência de discussão. Estamos a falar da mais profunda alteração ao que está em vigor desde o 25 de Abril. Considero fundamental que perante uma proposta tão profunda a Comissão de Educação não se afaste dessa discussão", justificou a deputada.

Luísa Mesquita sublinha que o modelo dos presidentes dos conselhos executivos "nunca foi avaliado" e que a Inspecção-Geral de Educação, no âmbito das avaliações externas às escolas, tem feito "rasgados elogios" ao actual modelo.

A deputada afirma ainda que o modelo proposto pelo Governo traduz a desconfiança em relação aos professores, tal como afirmaram os sindicatos. "Todo o modelo parte instalado na desconfiança sobre quem está nas escolas, ou seja, quem está nas escolas não merece a nossa confiança: os professores, os funcionários e os alunos. Logo, há que introduzir na escola o máximo de elementos estranhos à comunidade educativa".

Sobre o requerimento a ser discutido hoje, a deputada revelou grandes expectativas na sua aprovação, revelando que o PS afirmou, numa recente audição parlamentar, já ter dado "luz verde" ao seu pedido
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in LUSA

6 Comments:

Anonymous Paula said...

Com a actual falta de qualidade imposta pela douta ministra, ao nosso ensino, dentro de uma década ou menos, nem com os asnos vamos conseguir competir.

terça-feira, janeiro 29, 2008  
Blogger Eduquês said...

Este comentário foi removido pelo autor.

terça-feira, janeiro 29, 2008  
Anonymous Vitor Santos said...

Este trio do M.E. de autistas e sinistros elegeram os professores como os culpados de tudo o que o ensino neste país teve e tem de mal. Então vamos legislar a esmo: foi a vergonha das vergonhas - o concurso para professor titular, o estatuto (ECD), o novo modelo de avaliação dos professores atamancado à última da hora com uma "comissão" de uma só pessoa (rápido e depressa) para cumprir prazos, e neste momento, é novo modelo de gestão. E quem é que avalia e responsabiliza esta gente? Os alunos, os professores e os enc. de Educação terão os magníficos resultados daqui por breves anos! Esta gente quando sair do governo, vai dar conferências, fazer discursos, criticar os que lá estiveram se foram doutra cor, escrever livros, enfim, o habitual pelos iluminados que passam pela 5 de Outubro. O ciclo repete-se, e a desgraça do Sistema Educativo português continua.

terça-feira, janeiro 29, 2008  
Anonymous Anónimo said...

Não vale a pena... Só quando estes sairem de lá é que algo (possivelmente) produtivo se poderá realizar. Hoje em dia o sistema educativo escolar não funciona: os docentes estão desanimados e sentem a sua autoridade cada vez mais desacreditada por parte de todos os outros actores educativos, os alunos já sabem que, até ao 9º ano, não precisam de se esforçar para transitar e os pais só estão interessados em ocupar os diabos das crianças (quanto mais tempo melhor) dentro das escolas. Pior será que os próximos a virem voltarão a fazer o mesmo.

terça-feira, janeiro 29, 2008  
Anonymous Anónimo said...

Sobre a falta de discussão sobre estas matérias, nada de novo. É o novo estilo autista introduzido por este governo. Sobre a falta de avaliação do modelo anterior, concordo, mas também já vai sendo uma tradição em Portugal. Implementam-se reformas sobre reformas, sem avaliar os aspectos positivos e negativos dos modelos anteriores. É a fúria reformista de quem só pensa em números e quer mostrar muita obra feita! Uma constante fuga para a frente sem olhar para os lados... Convém lembrar quem sabe destas coisas e esclarecer quem não anda no meio, que a participação de outros agentes (empresas, pais e membros das autarquias), já estava contemplado no modelo anterior. Estavam representados na Assembleia de Escola, órgão máximo da instituição que é cada escola. Porém, essa participação sempre foi muito fraca e descomprometida, apesar dos esforços dos professores ao pedir uma maior participação destes intervenientes. Se as escolas tivessem que depender dessa participação para continuar a funcionar...muitas teriam fechado. Agora, com o novo modelo, a participação destes agentes é amplificada em número e responsabilidades. E os professores não passam de subalternos, porque lhes é retirado o voto por maioria nas decisões do Conselho Geral. Sinceramente! É mesmo de quem se ilude ou não quer encarar a realidade! Acreditam mesmo que por ser letra de lei a realidade vai mudar? Infelizmente, cá estaremos para ver! Que perda de tempo e de energias, quando há tantas coisas mais urgentes a fazer para diminuir o insucesso (programas, currículos, etc!)! Mas sobre o insucesso, o que o ministério tem feito é trabalhar os números e varrer para debaixo do tapete. Implementa um modelo de avaliação que condiciona a progressão na carreira à taxa de sucesso de cada professor...Por este andar, os alunos chegarão todos a doutores, sem sequer saberem ler! E os pais sustentá-los-ão até morrerem, porque os filhos não terão meios de subsistência. É o que se quer? Uma sociedade culta, questiona, opõe-se, manifesta-se e avança. Uma sociedade de gente "grunha", aceita tudo o que lhe impõem, sem fazer oposição. Está estagnada! Que belas apostas na formação dos jovens! Aqui jaz, pela mão deste executivo, o futuro da Educação!

terça-feira, janeiro 29, 2008  
Blogger Ana Teresa said...

Mas alguém tem dúvidas que o ataque feroz aos professores e à sua carreira, não é uma estratégia consciente e política!?
Sobretudo é um ataque feroz à Democracia. Num país muito atrasado civicamente etc. sobretudo é um ataque feroz à chamda classe média que ao que parece não existe em Portugal.

quarta-feira, janeiro 30, 2008  

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