sexta-feira, fevereiro 08, 2008

FNE propõe adiamento da avaliação de professores até Setembro



A Federação Nacional da Educação (FNE) propôs hoje o adiamento do processo de avaliação dos professores para o próximo ano lectivo e uma fase de teste até 31 de Agosto, para que as escolas “se preparem bem”.

“Entendemos que este processo de avaliação está a começar mal e que o que mal começa, mal acaba”, declarou Lucinda Manuela, representante da FNE, no final de uma reunião com o Ministério da Educação, assegurando que a federação de sindicatos “irá agora ver que medidas vai adoptar”, para tentar que o processo de avaliação “seja implementado de modo diferente e para que os prazos não sejam os que o Ministério está a impor”.

Segundo a representante da FNE, “até ao final deste ano lectivo – 31 de Agosto – as escolas deveriam preparar o processo de avaliação do ano que vem e portanto não faz sentido que esta avaliação seja uma avaliação onde os professores sejam classificados e já tenham um processo em avançado estado”.

“O fundamental é que as escolas se preparem bem para que a 1 de Setembro de 2008 possam começar com este processo com os avaliadores bem formados e com os avaliados bem conscientes daquilo a que têm que ser avaliados”, salientou Lucinda Manuela.

Antes da FNE, também os pequenos sindicatos independentes da educação foram hoje recebidos pela equipa do Ministério da Educação responsável pelas negociações sobre o processo de avaliação de desempenho dos docentes, com o representante sindical Manuel Rôlo Gonçalves a manifestar descontentamento à saída do encontro.

Secretário de Estado da Educação defende que processo pode começar

Manuel Rôlo Gonçalves defendeu igualmente, à semelhança da FNE, o adiamento do início do processo de avaliação, que o Ministério pretende aplicar desde já nas escolas.

Confrontado com as posições dos sindicatos, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, respondeu que “não é preciso conhecer as quotas que vão ser aplicadas às classificações bom, muito bom e excelente, para começar a fazer a avaliação”, da mesma forma que “não é preciso conhecer os critérios de avaliação pelos inspectores dos coordenadores de departamento para fazer a avaliação dos outros docentes”.

“Há todo um conjunto de elementos que serão conhecidos oportunamente, mas que não é necessário serem conhecidos agora para que o processo (de avaliação) arranque com toda a normalidade”, considerou Jorge Pedreira.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) já tinha também proposto, quarta-feira, ao Ministério da Educação que a avaliação de desempenho de docentes seja testada numa amostra de escolas, considerando uma “irresponsabilidade” não o fazer.
in LUSA