terça-feira, fevereiro 26, 2008

PSD-Porto quer explicações sobre identificação de docentes durante manifestação



Os deputados do PSD eleitos pelo Porto anunciaram hoje que vão pedir ao Governo esclarecimentos sobre as razões que levaram a PSP a identificar professores que participaram na manifestação realizada no último sábado, no Porto, contra a política educativa do Governo.

"Consideramos que este tipo de actuações se insere na atitude que este Governo tem seguido de forte coacção sobre os professores, que nós desaprovamos totalmente porque consideramos que a reforma da educação tem que se fazer com os professores e não contra eles", defendeu o presidente da distrital do PSD do Porto, Marco António Costa, adiantando que o pedido de esclarecimentos seguirá hoje, ou "o mais tardar, amanhã".

Marco António Costa, que falava à Lusa após uma reunião dos parlamentares do PSD, liderados por Pedro Duarte, responsável da Comissão de Educação da Assembleia da República, com o presidente da Associação Nacional de Professores, João Grancho, considera que o sucedido anteontem prenuncia também "uma repetição do caso Fernando Charrua elevada ao coeficiente máximo". "Esta metodologia de identificar todos os que criticam o Governo ultrapassa as margens do Estado de Direito", sustentou o parlamentar.

Para o PSD-Porto, a política do Governo de "pressão constante sobre os professores, desestabiliza as escolas e pesa ainda mais sobre as famílias, já submetidas a um clima de pressão social agravada, face à actual crise que atravessa a economia portuguesa, com um número crescente de empresas em falência".

Também o presidente dos social-democratas, Luís Filipe Menezes, criticou hoje, à margem de uma visita a uma empresa metalúrgica de Vila Nova de Gaia, "a situação de descontentamento na educação, a perseguição de professores, o clima de medo instaurado e a situação caricata de identificação dos docentes que falaram à televisão [na manifestação de sábado, no Porto]".

No último sábado, perto de dois mil professores concentraram-se nas Caldas da Rainha, Leiria e Porto em protestos convocados por telemóvel, correio electrónico e blogues, numa iniciativa à margem das estruturas sindicais para contestar a política educativa do Governo.

Já os sindicatos organizam, no dia 8 de Março, por iniciativa da Fenprof, uma manifestação nacional que designaram por "Marcha da Indignação", igualmente contra as políticas da equipa da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e os "reiterados ataques à escola pública e aos professores".

A Federação Nacional dos Sindicatos de Professores (FNE) anunciou, entretanto, que vai participar na manifestação convocada pela Fenprof, depois de ter anunciado na quinta-feira que não iria participar no protesto por tratar-se de uma iniciativa da Fenprof que não auscultou previamente as restantes estruturas sindicais.

"Verificou-se que há disponibilidade para uma organização conjunta da marcha e, dentro do espírito de convergência de análise da actual situação do sector da educação, considerámos que estão reunidas as condições para integrarmos o conjunto de entidades que organizam a marcha", afirmou hoje João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, em declarações à Lusa.
in LUSA