terça-feira, março 25, 2008

Pinto Monteiro pede autoridade para os professores


O Procurador-Geral da República está contra violência e o “sentimento de impunidade” nas escolas.
O mais recente caso de violência escolar, em que uma aluna da escola Carolina Michaelis no Porto agrediu uma professora por causa de um telemóvel, leva o Procurador-Geral da República (PGR) a retirar uma conclusão: “Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas”. O que, “até agora, raras vezes, tem acontecido”, diz Fernando Pinto Monteiro.

O responsável máximo pela investigação criminal em Portugal, em declarações ao Diário Económico, garante que “nalgumas escolas formam-se pequenos ‘gangs’ que depois transitam para ‘gangs’ de bairro, armados e perigosos”. Pinto Monteiro considera que a violência escolar funciona, em alguns casos, como uma espécie de “embrião” para níveis mais graves de criminalidade. Ao contrário do Governo que insiste em desvalorizar o mediático caso da aluna do Porto filmada por colegas enquanto agredia a sua professora de francês, Pinto Monteiro considera que a violência nas escolas “existe e tem contornos preocupantes”.

Esta não é a primeira vez que o Procurador-Geral da República se pronuncia sobre a violência nas escolas. Em Novembro, em entrevista à revista “Visão”, Pinto Monteiro disse estar a par de que “até a senhora ministra da Educação” minimiza a dimensão da violência nas escolas.

Ainda assim, insistia o PGR, “mesmo que seja um miúdo de 13 anos, há medidas de admoestação a tomar. Se soubessem a quantidade de faxes que eu recebo de professores a relatarem agressões...”. As declarações do Procurador-Geral da República têm sido insistentemente desvalorizadas pelo Governo que, aliás, considera que “os dados oficiais apontam para uma diminuição” da violência física e verbal nas escolas.

Lisboa e Porto são as zonas mais violentas
Lisboa e Porto. Estas são as áreas metropolitanas que, de acordo com os últimos dados do Ministério da Educação, registaram mais episódios de violência escolar no ano lectivo 2006/2007. No ranking das regiões, Lisboa lidera com 56,3% de ocorrências registadas pela Direcção regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo. Em segundo lugar surge o Porto, com 25%. Apesar de registar uma taxa de apenas 8,6% (a terceira mais elevada), o Algarve é no entanto a região do país com maior número de ocorrências por mil alunos: 4,26. Em Lisboa, este número desce para os 3,38 e no Norte para 1,36. De acordo com o Observatório da Segurança em Meio Escolar, a região Centro é a que regista menos violência nas escolas: 4,6% do total das ocorrências, o que equivale a apenas 0,56 por cada mil alunos.

O que dizem ministra, ex-ministros e comentadores sobre o caso
Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação
“É um oportunismo político estarem a misturar o Estatuto do Aluno, que é um quadro de regras que permite às escolas prevenir e agir, com este caso de indisciplina.”

Couto dos Santos, Ministro da Educação 1992-1993
“Lamento que os professores tenham vindo a perder autoridade. O que tem muito a ver com o comportamento dos pais dos alunos, que acham que os filhos têm sempre razão.”

Roberto Carneiro, Ministro da Educação 1985-1991
“Os miúdos chegam às escolas sem socialização. A escola não pode fazer o que os pais não fazem em casa. Têm que haver regras e elas têm que ser respeitadas pelos alunos.”

Deus Pinheiro, Ministro da Educação 1985-1986
“Hoje em dia, os meninos vivem numa redoma. Tolera-se-lhes tudo. Os meninos têm que aprender a respeitar a escola em todos os sentidos. O mal é o facilitismo que está instalado”

Veiga Simão, Ministro da Educação 1970-1974
“Nos anos 70 os casos de indisciplina eram resolvidos nas escolas. Os professores eram muito respeitados. Eram uma autoridade por si próprios. Há uma crise de autoridade na sociedade.”

Marcelo Rebelo de Sousa, Comentador
“[Maria de Lurdes Rodrigues] transformou os professores num bode expiatório.
in Díário Económico

2 Comments:

Blogger Eduquês said...

Este Minist�rio da Educa�o h� muito que se tornou hilariante e motivo de anedota. A grande diferen�a entre autoridade e autoritarismo � que os autorit�rios n�o actuam sobre o que devem mas apenas sobre o que podem. A Ministra actua sobre os "malvados professores". A 31� ministra da Educa�o ap�s o 25 de Abril veio para fazer hist�ria!

O novo Estatuto do Aluno OBRIGA as escolas a manter os delinquentes que l� s�o depositados, d�-lhes 1000 oportunidades, cursos da treta, diplomas sem qualquer seriedade ou utilidade pr�tica e ainda lhes permite faltar quando querem e bem lhes apetece em troca de um exame final salvador.

Como poder�o estes cidad�os vir a enquadrar-se no mercado de trabalho?

Em nome de uma percentagem m�nima de alunos que realmente acabam por tirar partido de condi�es mais favor�veis de avalia�o, estamos a construir UMA GRANDE MENTIRA, a fragilizar aquilo que jamais poder� ser fragilizado (professores) e a dar uma M�O CHEIA DE NADA a uma sociedade cada vez mais descrente e moribunda.

terça-feira, março 25, 2008  
Anonymous Anónimo said...

A violência existe nas escolas porque falta a autoridade e o castigo que seria devido por mau comportamento, indisciplina e até mesmo delinquência.

Como não se pode tocar nos meninos “nem com um dedo”, na falta de outros castigos eficazes, resta a impunidade que serve de incentivo para que cresçam estes comportamentos anormais, nas escolas e fora delas.

Que castigos deverão ser aplicados aos alunos? Ficam de castigo numa sala escura? Há o risco de ser considerado violência psicológica. Além disso, quando os visados se aperceberem de que nada lhes acontece se recusarem o castigo é isso mesmo que vão fazer: recusam o castigo. E depois? São multados? Quem paga as multas? Pagam-nas os alunos ou os pais? E se não pagarem? E se não tiverem meios para isso? Qual é o castigo alternativo? Ficam impunes?
Expulsam-se da sala de aula ou da escola? Não serve de nada, apenas se transfere o problema para o exterior da sala de aula ou da escola. Esses jovens irão dar azo à sua liberdade doentia noutro lugar.

Os castigos físicos são condenáveis, mas, por vezes, são os únicos que têm algum efeito e são muito úteis até certa idade. É óbvio que me refiro a castigos físicos adequados e dentro de limites aceitáveis, mas só até aos 10, 12 anos de idade.

Mas os castigos físicos são por ora condenados pelas nações ocidentais, pela EU e pelo nosso país. Assim, as mudanças começarão primeiro nas principais nações (EUA, UK, França..), que se aperceberão em breve da necessidade da reposição de alguns castigos físicos (Portugal nisto, como noutras matérias seguirá depois o exemplo "conforme a maré"). Os pais também irão aceitar e compreender essa necessidade até para a protecção dos seus próprios filhos, que são as primeiras vítimas dos poucos jovens com procedimentos anormais. Os castigos físicos eram bem tolerados pelas anteriores gerações de pais e ninguém defende que fossem piores do que os actuais.

Mas a partir das idades que referi já não deverão nem poderão ser utilizados aqueles castigos nas escolas, pelo que esses jovens deverão ser encaminhados para "Casas de Correcção" ou lá como lhes queiram chamar. Estes estabelecimentos devem incutir aos jovens aí internados regras de conduta e de trabalho e estar autorizados a castigar os desvios que mesmo aí venham a ocorrer, fazendo-lhes sentir que estão a cumprir um castigo. Assim, poderá ser normal o levantar e deitar a uma hora certa e tratarem eles próprios das suas necessidades pessoais, como fazerem a cama e tratarem das suas roupas. As actividades de lazer devem ser permitidas só em dias definidos, mas podendo ser canceladas em caso de castigo. É claro que as actividades escolares e de preparação para uma vida profissional seriam também incluídas.

A maioria das crianças e jovens não são delinquentes e pode ser corrigida de qualquer desvio através de uma simples conversa, mas basta um "rebelde" para boicotar uma aula e para arrastar consigo outros mais pacatos que não levantariam qualquer problema.
Os colegas mais humildes são as primeiras vítimas e a escola não tem hoje maneira de as proteger.

Algo deve mudar nas escolas por forma a castigar os desvios de comportamento dos jovens, senão estamos, sem o saber, a criar pequenos “monstros” que nunca se habituarão a cumprir regras sociais, que serão uns inúteis e que viverão sempre à custa do trabalho alheio, porque é mais fácil.

Um dia as ideias que agora dominam, de não aplicar quaisquer castigos físicos, em quaisquer circunstâncias, terão que mudar: o que é hoje um conceito aceite e indiscutível será um dia posto em causa pelos futuros pedagogos. Houve no passado uma inversão nos castigos admissíveis nas escolas e outra acontecerá inevitavelmente no futuro.

Há quem diga que que tudo se resolve se os pais derem educação aos filhos. Pergunto: e quando os próprios pais não a têm, como podem ministrá-la aos filhos?

Zé da Burra o Alentejano

terça-feira, março 25, 2008  

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