segunda-feira, maio 19, 2008

Estudo diz que 44 por cento dos professores não escolheriam a sua profissão novamente



Quase 44 por cento dos professores não escolheriam a sua profissão hoje em dia, revela um estudo realizado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB) a pedido da Associação Nacional de Professores (ANP) e apresentado ontem no Porto.

"O facto de os professores estarem insatisfeitos com a sua condição tem um grave reflexo na aprendizagem dos alunos", disse João Ruivo, responsável pelo estudo realizado pelo Centro de Estudos e de Desenvolvimento Regional (CEDER), à margem do V Encontro Luso-Espanhol sobre a profissão docente.

João Grancho, presidente da ANP, disse que, segundo o estudo, "quase 80 por cento dos professores querem um sistema de auto-regulação, uma Ordem dos Professores".

"Como ponto de partida para este sistema, enfatizamos (ANP) a criação de um código deontológico para a profissão de docente, que é a única que trata da formação das pessoas que não tem um código".

"Uma larga maioria dos professores consideram importante o surgimento de uma entidade de auto-regulação, não só por questões meramente corporativas mas porque entendem que essa é uma forma de reconfigurar a própria profissão de docente, conceder-lhe um outro reconhecimento social e por outro lado contribuir para a melhoria da qualidade da educação".

O estudo baseado numa amostra de educadores de infância e professores do ensino básico e do secundário e que João Ruivo considerou "marcante por não existir nenhum sobre a matéria, com rigor científico, desde 1990", revela ainda que 61 por cento não sente que o seu trabalho seja reconhecido pela sociedade.

Mais de 90 por cento revelam uma grande preocupação para com o seu futuro profissional e não estão satisfeitos com o pouco apoio pedagógico que o Ministério da Educação lhes dá.

Dos resultados obtidos foi também possível concluir que "a maioria não está satisfeita com o interesse revelado pelos alunos nas questões de aprendizagem escolar, e também apresenta insatisfação quanto às políticas educativas do Ministério da Educação, assim como com o trabalho desenvolvido pelos sindicatos".

Os concursos profissionais são também alvo de críticas, revelando os professores inquiridos, que estes causam instabilidade profissional.
in PÚBLICO

sábado, maio 17, 2008

Os professores também terão direito a este tipo de progressão na carreira?

O Banco de Portugal promoveu o gestor Vitor Bento "por razões de gestão e equidade interna". Uma decisão que causou o espanto por entre os trabalhadores do Banco e que fez a Comissão de Trabalhadores pedir esclarecimentos sobre a promoção deste gestor. Vítor Bento está desde 2000 fora do Banco, com licença sem vencimento. “Como se pode promover por mérito alguém cujo mérito é não estar no banco?”, pergunta Francisco Louçã.

As dúvidas do deputado bloquista são as mesmas da Comissão de Trabalhadores, que recebeu a notícia da promoção de Vítor Bento com surpresa e pediu esclarecimentos à administração do Banco de Portugal. Mas as explicações do Banco são vagas e insatisfatórias, limitando-se a confirmar que o gestor “se encontra em situação de licença sem retribuição” desde o ano 2000. Quanto a esta promoção, que entrou em vigor a 1 de Janeiro deste ano, o BP diz que se deve a “critérios de gestão e equidade interna".

“Na sequência dos esclarecimentos insatisfatórios que deu aos trabalhadores do banco”, o deputado Francisco Louçã questionou “por que razão os critérios de promoção não são os critérios da verificação da actividade das pessoas no banco”.

A Comissão de Trabalhadores questionou que Vítor Bento se “o trabalhador não esteve ao serviço efectivo do banco”, dúvidas partilhadas pelo deputado e coordenador do Bloco: “Como pode haver uma promoção salarial por mérito absoluto se a pessoa não desempenha funções?”

Vítor Bento é presidente da SIBS, a empresa que gere a rede do Multibanco, e é também presidente da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social e vice-presidente do Fórum da Competitividade.
in PÚBLICO

sexta-feira, maio 09, 2008

Associação Nacional de Professores lança uma estrutura para responder à violência nas escolas



A Associação Nacional de Professores (ANP) apresentou hoje o espaço "Convivência nas Escolas", uma estrutura que pretende dar uma resposta integrada aos fenómenos de conflito e violência no espaço escolar, com especial atenção para o problema do "bullying".

“Criámos uma estrutura que é um passo em frente na resposta a situações de conflito e violência escolar, integrando uma resposta para alunos, professores, famílias e escolas”, afirmou João Grancho, presidente da ANP.

Esta nova estrutura envolve a actual linha telefónica SOS Professores (808 962 0069), que visa apoiar os docentes em situações de conflito, violência e indisciplina, a que se junta um núcleo dedicado aos alunos e às famílias.Este núcleo, que visa prestar apoio a alunos vítimas de bullying, inclui uma linha telefónica (808 968 888) e um endereço electrónico (bulialuno@anprofessores.pt ).A linha telefónica começa a funcionar a 12 de Maio e vai manter-se em período de experiência até ao final deste ano lectivo, estando disponível entre as 18h00 e as 20h00.

Segundo João Grancho, em Setembro, a ANP espera poder lançar dois guias sobre bullying, um destinado a alunos e outro aos pais e encarregados de educação.

A atenção que a ANP dedica à questão do bullying, que é um conflito entre alunos, resulta dos estudos feitos nas escolas portuguesas, segundo os quais entre 25 e 50 por cento dos alunos já estiveram envolvidos - como vítimas ou agressores - em situações deste género.

“Queremos contribuir positivamente para a convivência na escola”, frisou o presidente da ANP, defendendo que “mais do que combater a violência, é necessário promover a prevenção da violência”.João Grancho salientou que esta iniciativa "não surge para pôr em causa a escola pública", salientando que "o que se pretende é que o acto de ensinar e de aprender decorra dentro das regras da convivência e da cidadania". "Não somos um instrumento de oposição a nada, somos um instrumento de apoio ao funcionamento das escolas", assegurou.

A iniciativa 'Convivência nas Escolas' conta com o apoio da Universidade Lusófona do Porto, que, entre outras funções, desenvolve acções de formação para professores, alunos e encarregados de educação sobre a questão do bullying.

João Grancho lamentou que a ANP tenha que suportar os custos destas iniciativas, frisando que "ao nível do Ministério da Educação, estas áreas não são tidas como prioritárias para financiamento na formação de professores".

in LUSA