sábado, junho 28, 2008

DREN não quer professores que dão notas "distantes da média" a classificar exames


De acordo com um relato de um professor escrito em acta, a directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, pediu aos conselhos executivos das escolas para terem atenção na escolha dos docentes que vão corrigir os exames, e disse que “talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média.” Os “alunos têm direito a ter sucesso” e o que “honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos” terá dito imediatamente antes e depois.

Esta acta foi citada hoje no Parlamento pelo deputado e líder do CDS-PP, Paulo Portas, durante um debate sobre o "facilitismo" das provas (de aferição e exames) deste ano, pedido pelos centristas. E reporta-se a uma reunião tida entre responsáveis pelo Gabinete de Avaliação Educacional (Gave, responsável pela elaboração das provas), presidentes dos conselhos executivos do Norte e Margarida Moreira, para a preparação dos testes deste ano.

O PÚBLICO contactou o gabinete de imprensa do Ministério da Educação para obter um esclarecimento sobre os motivos desta orientação e a resposta foi dada pelo director do Gave. Carlos Pinto Ferreira, que participou na referida reunião, esclareceu que a mensagem que se pretende passar é que os professores designados para verem os exames devem cumprir rigorosamente os critérios de classificação emanados pelo Gave. “E não apliquem nem mais nem menos. Tem de se assegurar que os classificadores seguem aquelas normas. A uniformidade na aplicação dos critérios é a única coisa que garante a equidade entre os alunos”, reforçou o director do Gave.

"Estatísticas felizes"

Este foi um dos exemplos dados pelo líder do CDS para provar que o objectivo do Ministério da Educação [ME] é “produzir estatísticas felizes”: “O nível de exigência [das provas nacionais] foi reduzido ao mínimo. Não pode ser um acaso que sociedades científicas, professores, alunos e famílias digam que são fáceis e facílimos.”

Portas passou a enumerar outros exemplos que, na sua opinião, demonstram o “triunfo da facilidade sobre a exigência e a vitória da mediocridade sobre a excelência”: “Usou-se e abusou-se de matérias dos anos anteriores e até de ciclos de escolaridade anteriores. Incluíram-se questões nos testes dos alunos de 15 anos resolúveis por alunos de dez. E [fez-se] perguntas aos de dez resolúveis pelos de oito.”

O líder do CDS afirmou ainda que alguns exercícios apenas aferiam se um estudante “sabia utilizar a calculadora ou se teria lido meras fichas de leitura sobre clássicos.”

Os resultados das provas de aferição de Matemática de 2008, já divulgados pelo ME, revelaram que as notas negativas caíram para metade face a 2007, tanto no 4.º como no 6.º ano.

A argumentação não convenceu a bancada do PS. A deputada socialista Paula Barros questionou, por exemplo, “qual o rigoroso instrumento de medida utilizado [pelo CDS-PP] para avaliar os exames nacionais.” E acusou ainda Portas de fazer “tábua rasa” do trabalho de milhares de professores e das escolas.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, garantiu que a “independência técnica [do Gave] face ao poder político está garantida.”

“É impressionante a atitude do CDS-PP que, sistematicamente, põe em causa as instituições técnicas do Estado. Foi assim com o Fisco, com a ASAE e agora com o Gave, que não devia ser alvo político do CDS”, lamentou Santos Silva.

“Quem faz as provas é o Gave, logo é bom. Essa não é uma argumentação”, ripostou Paulo Portas.

Também o PSD alinhou ao lado dos populares nas críticas aos exames e a outras decisões políticas na área da Educação (como o fim das provas globais ou do chumbo automático por faltas injustificadas). O deputado social-democrata Pedro Duarte disse mesmo que o Governo quer “obsessivamente a todo o custo apresentar resultados escolares mas está a fazer batota.”

PCP e Os Verdes aproveitaram o debate para se pronunciarem contra a existência de exames nacionais, enquanto instrumento “elitista” e “selectivo.”


in LUSA
Mas ainda alguém estranha alguma coisa vinda deste Ministério da Educação? O passo seguinte será entregar a correcção dos exames a entidades externas para os resultados serem convenientemente cozinhados e as estatisticas serem fantásticas. Depois é só passar diplomas e até se o pode fazer ao Domingo...

quinta-feira, junho 26, 2008

Instaurados processos disciplinares a polícias que visitaram escolas




O Ministério da Administração Interna mandou instaurar processos disciplinares contra três agentes da PSP que visitaram escolas na véspera da manifestação que reuniu dezenas de milhares de professores em Lisboa.

O ministério adiantou hoje que o relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) sobre o caso, denunciado pelas associações sindicais, chegou ao gabinete de Rui Pereira no dia 19, tendo sido despachado quatro dias depois.

“O ministro da Administração Interna acolheu integralmente as propostas constantes do relatório final” e determinou “a instauração de três processos disciplinares” que serão agora conduzidas pela própria PSP, lê-se numa resposta enviada por escrito à Lusa, sem avançar mais pormenores.

Confrontado com esta decisão, o director nacional da PSP, Francisco Oliveira Pereira, disse não ter conhecimento oficial dos processos instaurados aos agentes da corporação. “Não sei nada, porque oficialmente não recebi nada do ministério. Sei pela comunicação social, mas não passa disso”, afirmou o responsável.

A TVI adiantou, entretanto, que os processos visam três agentes dos comandos de Leiria e Santarém, que visitaram agrupamentos de escolas nas Caldas da Rainha e Santarém para recolha de informações sobre os preparativos para a manifestação.

Numa primeira reacção à decisão do ministério, e apesar de não conhecer o resultado do inquérito, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) diz acreditar que os agentes “agiram de boa-fé”. “Aquilo que nos transmitiram é que tinham cumprido todas as regras” e que as visitas às escolas visaram saber “quantos autocarros iam sair e quantas pessoas estavam envolvidas, por uma questão de segurança”, afirmou Paulo Rodrigues, em declarações à TSF.

A investigação da IGAI foi ordenada pelo Ministério da Administração Interna depois de os sindicatos de professores terem denunciado a visita de agentes da polícia a várias escolas para saber quantos professores iriam participar na manifestação nacional que viria a realizar-se em Lisboa.

Rui Pereira revelou mais tarde que “no próprio dia em que houve rumores de uma deslocação a uma escola de agentes de segurança” pediu à IGAI que realizasse um processo de averiguações. A 25 de Março, o ministro Rui Pereira anunciou ter aceitado o pedido da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) para alargar o prazo e o âmbito das investigações, “por haver indícios de deslocação de forças de segurança a outras escolas”.

in LUSA

quarta-feira, junho 25, 2008

"A ministra [da Educação] tinha prometido resultados e eles aí estão. Antes de abandonar o barco, e na iminência de naufrágio do 'Titanic' das políticas educativas, o capitão manda lançar os botes à água, gritando: 'As estatísticas primeiro!'"

Manuel António Pina in "Jornal de Notícias"

terça-feira, junho 24, 2008

Daniel Sampaio: Indisciplina deve ser olhada como uma forma de violência


O psiquiatra Daniel Sampaio alertou hoje para a necessidade da indisciplina escolar ser olhada como uma forma de violência que deve ser trabalhada e combatida.

"Há uma diferença entre indisciplina e violência mas quando se diz que indisciplina nada tem a ver com violência não estamos no bom caminho", disse o psiquiatra português numa intervenção no âmbito da 4ª Conferencia Internacional sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, a decorrer em Lisboa até quarta-feira.

Na sessão de abertura da conferência, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, disse ser importante estabelecer uma diferença entre violência e indisciplina escolar.

Maria de Lurdes Rodrigues referiu que enquanto a indisciplina está mais generalizada nas escolas portuguesas, a violência escolar está circunscrita, uma vez que 90 por cento das ocorrências têm lugar em cinco por cento das escolas.

Já para Daniel Sampaio, violência escolar é todo o comportamento que pode violar a missão educativa de uma escola, uma missão que cada estabelecimento de ensino deve desenhar e definir.

Para combater estes fenómenos, explicou, deve ser reconhecida a participação de todos os agentes educativos, incluindo os alunos autores dos actos de disciplina e de violência, o que, acrescentou, não é muito frequente acontecer em Portugal.

"Impressiona-me não se perguntar aos alunos o que pensam da violência", disse.

Por outro lado, defendeu que devem ser avaliadas as causas de violência através dos factores de risco dos alunos de diferentes idades e ainda da escola.

Na infância são factores de risco a violência nas famílias e as perturbações de comportamento, enquanto na adolescência se detecta como factor de risco a fraca ligação com colegas não delinquentes, a adesão a gangues, os comportamentos anti-sociais.

Relativamente ao percurso escolar, Daniel Sampaio considera que são factores de risco as expectativas reduzidas face à possibilidade de sucesso, o deficiente apoio da família e a pouca ligação entre os professores e os pais.

O combate à indisciplina e violência escolar, acrescentou, passa ainda pelo estabelecimento de programas sistemáticos de prevenção, que no jardim de infância e no 1º ciclo devem ser feitos com a família, enquanto que nos adolescentes as iniciativas devem centrar-se nos grupos juvenis.

Por outro lado, Daniel Sampaio destacou ainda a importância de uma estratégia de intervenção na sala de aula com mediadores que estabeleçam uma ligação entre a escola e a família.


in PÚBLICO

sexta-feira, junho 20, 2008

Professores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre

A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo.

"Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo", defendeu Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.

Perto de 100 mil alunos realizaram hoje o exame nacional de Matemática, que se realiza desde 2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento.

"Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9.º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem", acrescentou.

Sublinhando que o exame "não tem erros" e que os 90 minutos, mais 30 de tolerância, estão adequados para a realização da prova, a responsável salientou que em relação à geometria, por exemplo, o exame aponta "mais para nomes do que para competências".

"Há questões que outros ciclos de ensino saberiam resolver de certeza, mas a prova é sobre os conteúdos leccionados no 7.º, 8.º e 9.º ano", lamentou.

Assim, a Associação de Professores de Matemática espera que haja "uma grande melhoria" nos resultados em relação a 2007, mas sublinha que as provas "não são comparáveis".

Já na quarta-feira, a APM lamentou que o exame nacional de 9.º ano da disciplina, realizado nesse dia, incluísse matéria do 2º ciclo (5.º e 6.º ano), considerando que esta opção pode ser "excessivamente fácil para os alunos".

in LUSA

sexta-feira, junho 13, 2008

Irlanda rejeita Tratado de Lisboa e dá lição cívica ao Partido Socialista


quinta-feira, junho 05, 2008

"Não me impressionam os números"
José Sócrates sobre a manifestação de 200 mil portugueses contra as alterações ao Código de Trabalho.
O nosso competentíssimo Primeiro Ministro está mais preocupado com os números que lhe acenarão do sector privado quando deixar de ser o timoneiro do naufrágio de todos nós. Nessa altura recolherá os frutos da miséria em que mergulharam muitas familias e da destruição a que condenou a classe média portuguesa.

terça-feira, junho 03, 2008

Fórum Educação para a Cidadania sugere plano de acção para formação cívica nas escolas

Garantir a formação de professores e outros agentes educativos tendo em vista a aquisição de competências para "trabalhar" a Educação para a Cidadania Global nas escolas é uma das recomendações do relatório do Fórum Educação para a Cidadania.

Tendo como ponto de partida que "em Portugal a qualidade da democracia e o desenvolvimento estão reféns da persistência de importantes défices de cidadania que passam pela fragilidade da cultura crítica, por várias formas de iliteracia e apatia cívica", o Fórum define um conjunto de objectivos estrtégicos e recomendações tendo em vista um Plano de Acção de Educação e de Formação para a Cidadania.

Assim, para concretizar aquele objectivo, defende-se a formação adequada de todos os docentes de todos os níveis de ensino, com o objectivo de os responsabilizar pela transversalização da dimensão da cidadania nos conteúdos programáticos, metodologias e atitudes, em todas as situações vividas na escola.

Outro dos objectivos prende-se com a necessidade de criar condições para que a escola se assuma como um espaço privilegiado de exercício da cidadania e mais consequentemente de educação na e para a cidadania global.

"Encorajar as escolas e os agrupamentos de escolas a conceber os respectivos projectos educativos como projectos de cidadania global, desenvolvendo competências quer para identificar falhas de cidadania no seu funcionamento, quer para conceber e desenvolver processos partilhados de resolução que permitam ultrapassá-las com beneficio para a comunidade educativa", lê-se no documento.

Por outro lado, o relatório propõe o desenvolvimento de um projecto piloto de dois a três anos em três escolas representativas de diversos tipos e problemáticas para aplicação experimental, acompanhamento e avaliação das setes recomendações, a partir do qual deverá ser avaliada a pertinência da criação de uma disciplina de Educação para a Cidadania Global, como alternativa à actual área curricular não disciplinar de Formação Cívica.

Cidadania como tema obrigatório
Integrar a cidadania global como temática obrigatória na formação contínua quer de dirigentes, funcionários e agentes da administração pública a nível central, regional e local, quer de entidades que prestam serviço público, com particular relevo para o sector da comunicação social é outra das recomendações.

Em relação a estudantes especificamente, o relatório propõe que se assegure a educação para a Cidadania Global como uma componente do curriculo de natureza transversal, em todas as áreas curriculares e em todos os ciclos de ensino, bem como nos espaços curriculares não disciplinares como a Foramação Cívica, Área de Projecto e Estudo Acompanhado.

Um dos objectivos visa o estabelecimento de parcerias e aprofundar de cooperações entre várias entidades públicas e privadas envolvendo a sociedade civil "de modo a conferir maior diversidade, qualidade e relevãncia às actividades de educação para a cidadania global".

Neste objectivo, é ainda proposto a criação de um Observatório de Acompanhamento da concretização das recomendações propostas, devendo este entrar em funcionamentono 1º semestre de 2009.

Reflexão sobre cidadania
O Fórum Educação para a Cidadania reuniu diversas personalidades e instituições da sociedade civil que, a título independente, aceitaram prestar o seu contributo intelectual e o seu empenho cívico para uma reflexão alargada sobre a cidadania.

Presidido pelo ex-ministro da Educação Marçal Grilo, o Fórum iniciou o seu trabalho a 27 de Setembro de 2006 e apresenta hoje à tarde o resultado do mesmo aos membros do governo que lançaram o desafio, mas também a entidades e personalidades que desempenham um papel decisivo na promoção de uma cidadania activa e responsável, uma vez que este documento dirige as suas recomendações a um alargado leque de actores sociais.

Na cerimónia de apresentação do documento, que decorre hoje à tarde na Fundação Gulbenkian, estarão presentes, além de Marçal Grilo, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Jorge Lacão, e a coordenadora da Comissão de Redacção do documento, Maria do Céu Cunha Rego.



in PÚBLICO