domingo, maio 31, 2009

75 mil professores na rua: manifestantes diminuíram mas “revolta na sala de professores continua”


Há uma regra do basquetebol que diz que se não se estiver a driblar não se pode dar mais do que dois passos segurando a bola na mão. Foi isso que Duarte Silva, professor de Educação Física em Mafra, ensinou aos seus alunos, mas a professora de Educação Especial que avaliou uma das suas aulas desconhece essa e outras regras do jogo. Como pode então avaliar a sua qualidade pedagógica? Esse é apenas um exemplo, “mais flagrante”, que explica a razão por que está ali com a mulher, apesar de não terem arranjado ninguém com quem deixar a Maria de dois anos, que segue à frente, adormecida no berço, talvez embalada pela banda sonora clássica de manifestações, Zeca Afonso, Fausto e José Mário Branco.

“Um, dois, três, já cá estamos outra vez, se isto não mudar, nós havemos de voltar”. Nem com a palavra de ordem gritada ao altifalante a pequena Maria acorda. De todos os docentes a quem se pergunta, nenhum se estreou nesta manifestação, é a terceira vez que ali estão, conformados por desta vez terem menos companhia. No final de 2008 marcharam nas ruas 120 mil professores em protesto (no total, a classe terá cerca de 140 mil), em Março deste ano terão sido 100 mil. Nas contas da Plataforma Sindical terão sido 80 mil os que fizerem hoje o percurso do Marquês de Pombal à Avenida da Liberdade (Lisboa), a PSP fala de 50 a 55 mil.

Todos concordam que são menos do que têm sido. Alguns ficaram a corrigir as provas de aferição – no cartaz de um dos manifestantes lia-se “Este sábado não corrijo testes” – outros explicam alguma desmobilização pelo “calor”, “o desgaste”, “a saturação”. Mas a “revolta na sala de professores continua”, defende a professora de Matemática de Castelo de Paiva, Cristina Bastos.

in LUSA