quarta-feira, julho 15, 2009

OCDE: avaliação de professores deve ser alterada


O relatório da OCDE, feito a pedido do Ministério da Educação, defende a necessidade de alteração no sistema de avaliação dos professores em Portugal. A organização estudou o modelo de avaliação de desempenho dos professores, adoptado pelo Governo, considerando que este causa focos de tensão e deve funcionar como futura base de trabalho.

No entanto, a OCDE defende que a avaliação de professores deve continuar, mas que as preocupações e dificuldades dos professores devem ser tidas em conta. O relatório revela que existem vários elementos problemáticos no actual modelo de avaliação e, por isso, são necessários ajustamentos.

«Os professores são importantes e é importante assegurar a melhor qualidade do seu trabalho. O facto de [a tutela] ter tido a coragem de pôr a avaliação de desempenho como elemento base da reforma educativa é importante», considerou Paulo Santiago analista de políticas educativas na OCDE há oito anos e coordenador da equipa responsável pelo estudo, citado pela Lusa.

«A avaliação para progressão na carreira não pode ser feita só com base no modelo interno da escola e com critérios de actividade das escolas, por questões que têm a ver com a defesa de igualdades e injustiças», explicou o responsável pelo estudo.

Paulo Santiago destacou que «as duas grandes tensões no sistema» têm de ser ultrapassadas. O analista explicou que «o objectivo da melhoria está a tentar ser alcançado através de um modelo que tem consequências para uma carreira», acrescendo que «o facto de fazer dessa maneira pode pôr em perigo a tal função de melhoria - essa é a primeira tensão».

Para Paulo Santiago, a segunda tensão «é o problema de ter uma avaliação ao nível da escola, com consequências a nível nacional».

Peritos externos melhoram avaliação

Os peritos da OCDE referem que a acreditação de avaliadores externos reforça a credibilidade do processo e a comparabilidade das classificações atribuídas.

«Avaliadores externos credíveis serão, provavelmente, professores, reconhecidos como profissionais altamente competentes e bem sucedidos, detentores de conhecimentos específicos e com competências pedagógicas aprofundadas, capazes de orientar e apoiar os outros professores», pode ler-se no relatório.

A OCDE sugere os avaliadores externos às escolas, considerando que devem eles próprios ter experiência como avaliados, ter concluído um programa de formação especializado e ter competência como avaliadores internos.

«A sua competência enquanto avaliadores poderia ser validada através de um processo de acreditação que seria realizado por uma agência externa, como seja a Inspecção-Geral de Educação», refere o estudo.

Objectivo deve ser progressão na carreira

«Recomendamos que a componente de avaliação que tenha a ver com progressão na carreira se faça com base em critérios a nível nacional e que inclua um elemento externo, o tal avaliador externo, para assegurar que os padrões de exigência são os mesmos numa escola ou outra e para assegurar essa justiça», revelou o responsável pelo relatório que aponta para a necessidade de manutenção do processo de avaliação docente «durante a fase de transição para um modelo mais robusto».

Segundo a TSF, a ministra da Educação diz que o relatório da OCDE representa mais um contributo técnico para a melhoria do modelo de avaliação.

Jorge Pedreira, secretário de Estado Adjunto e da Educação, referiu que o Governo estabeleceu um acordo com as organizações sindicais em 2008 sobre a possibilidade de avaliar o regime de avaliação de desempenho docente, tendo neste sentido pedido um estudo à OCDE.

No entanto, a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação refere que este estudo vem isolar, ainda mais, a titular da pasta da Educação.

in LUSA